Prevenção

Simulacro de incêndio identifica falhas em aldeia de Vale de Cambra

Simulacro de incêndio identifica falhas em aldeia de Vale de Cambra

Quando o sino tocou na aldeia da Felgueira, em S. Pedro de Castelões, Vale de Cambra, as cerca de 40 pessoas que lá habitam começaram a sair de casa e a dirigir-se para a capela.

É o ponto de segurança em caso de incêndio. Esta sexta-feira foi só um simulacro, mas já serviu para identificar fragilidades de uma aldeia envelhecida, rodeada de floresta e com apenas dois acessos. "Numa escala de 0 a 10, a dificuldade para os bombeiros aqui é 10", apontou Vítor Machado, comandante dos Bombeiros de Vale de Cambra.

"No incêndio em 2011 tivemos aqui uma equipa de bombeiros retida durante sete horas, porque os únicos dois acessos estavam rodeados de fogo", disse o comandante durante o simulacro. "Hoje levámos 20 minutos para evacuar as pessoas, mas continuam a resistir à evacuação", alerta Vítor, que explica que esta "é uma zona vermelha do concelho, que está rodeada de uma mancha verde e uma monocultura de eucalipto", por isso a prioridade é retirar toda a gente. Na aldeia, apontou o comandante, há ainda um tanque para meios aéreos recolherem água, mas está coberto de silvas e não tem acesso terrestre.

O objetivo do simulacro foi formar a população que já elegeu dois moradores como oficiais de segurança local, para ajudarem a Proteção Civil. "Num incêndio, tenho de vir tocar os sinos, bater às portas para mandar as pessoas sair, e avisar para trazerem documentos e medicação", explicou Manuel Tavares, que diz que "há sempre gente que não quer abandonar os seus bens". Caso de Dorinda Tavares, 76 anos, que recorda que no incêndio de 2011 "a gente não saiu de casa": "Eu também não saía. Temos que salvar as nossas casas".

"A aldeia está rodeada de floresta, temos que capacitar os moradores para um cenário de risco", sublinha José Pinheiro, presidente da autarquia, que diz que já se deram os primeiros passos ao definir oficiais de segurança local. "É um dos moradores que conhece todos pelo nome, sabe onde moram, conhece capacidades e limitações para depois fazer articulação com GNR, Câmara, Bombeiros, GIPS, todos os agentes de proteção civil".

Num concelho com nove mil hectares de floresta, a autarquia, diz a mesma fonte, tem vindo a requalificar os acessos, para criar condições para os bombeiros chegarem aos locais.

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