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Cáritas de Beja diz que mais de cem timorenses ficaram ao abandono

Cáritas de Beja diz que mais de cem timorenses ficaram ao abandono

O apoio da Cáritas Diocesana de Beja aos migrantes timorenses é a ponta do grande "Iceberg Social" que a instituição promove. O ano passado o organismo forneceu 110 mil refeições.

A 19 de agosto, um grupo de timorenses, 39 homens e uma mulher, foi despejado de casa, em Cabeça Gorda, concelho de Beja, por eventual falta de pagamento da renda. Ao conhecer a situação, a Segurança Social encaminhou os cidadãos para a Cáritas Diocesana de Beja.

A Cruz Vermelha cedeu 40 camas de campanha e a CDB providencia comida e dormida aos migrantes, que já eram apoiados com refeições quando residiam na aldeia de Cabeça Gorda.

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"Há um grupo significativo, em particular os mais jovens, que estão desde o princípio desta vaga de novos excluídos na região", disse o presidente da CDB, Isaurindo Oliveira. "Algo correu mal desde a chegada dos timorenses, porque muitos nunca trabalharam", acrescentou.

"Nunca houve grande atenção em situações anteriores e agora as estruturas ficaram incapacitadas para responderem aos casos dos timorenses, porque num mês mais de uma centena de pessoas ficou ao abandono", revelou Isaurindo Oliveira.

"A previsão para o apoio a estes cidadãos era de dois meses, até final de outubro, mas parece que vai prolongar-se. Já estamos a reunir com a Segurança Social para renegociar os apoios caso seja necessário prolongar esta situação", referiu o presidente da Cáritas de Beja.

"O problema geral é a falta de um trabalho eficaz em rede. Cada um quer ter a sua capelinha e o seu poder. Mas muitas vezes a falta de meios de cada um gera estas situações", observou Isaurindo Oliveira.

Recuperar o edifício da antiga Casa do Estudante para uma resposta social

A sede da Cáritas Diocesana fica localizada na zona histórica da cidade, onde funcionam também a cozinha e o refeitório, e no edifício da antiga Casa do Estudante, junto ao Bairro da Força Aérea, que a instituição gere desde o início de 2022, está instalado o Centro de Alojamento e Emergência Social (CAES). Os dois espaços são propriedade da Diocese de Beja.

Há cinco anos que Isaurindo Oliveira assumiu a presidência da CDB, gerindo uma instituição que emprega 70 pessoas, que tem diversas respostas sociais no terreno, tendo servido 110 mil refeições no ano passado, entre pessoas que acorrem ao refeitório, apoio domiciliário, cantina e refeitório social, comunidade terapêutica e reinserção social.

O presidente da Cáritas lembra que "as verbas acordadas com a instituição há muitos anos que não são atualizadas e é urgente que tal aconteça, para que não exista o risco desta colapsar", justificou.

O grande projeto da Cáritas passa pela reabilitação do edifício da antiga Casa do Estudante para a qual a instituição já tem um projeto no valor de 800 mil euros, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) que tinha uma linha de financiamento destinado à recuperação de edifícios para alojamento social. A instituição está a aguardar indicações do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) para assinar o protocolo.

No edifício, de três andares, além do Centro de Alojamento e Emergência Social (CAES) será criado um Serviço de Atendimento e acompanhamento Social (SAAS), um espaço destinado a receber pessoas em situação de sem-abrigo, de forma passageira e um ou dois quartos para albergar reclusos em licenças precárias, sem estrutura familiar.

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