Beja

Utente esteve mais de uma hora em ambulância à porta de lar

Utente esteve mais de uma hora em ambulância à porta de lar

Uma utente do lar do Centro Social e Paroquial de Nossa Senhora da Luz, em Albernoa, concelho de Beja, esperou mais de uma hora dentro de uma ambulância dos bombeiros para reentrar na instituição.

A direção do organismo alegava que, por ter estado no hospital, a idosa deveria ser portadora de um teste covid-19 com resultado negativo. A GNR de Beja foi chamada ao local.

O caso aconteceu no passado dia 27 de janeiro, depois de a idosa ter sido conduzida ao Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, por causa de um episódio clínico, tendo tido alta médica cerca das 19 horas desse dia. O JN apurou que a ambulância dos BVB só regressou ao quartel às 21.25 horas, quase duas horas e meia depois de ter saído.

O transporte da unidade hospitalar para a Estrutura Residencial Para Idosos (ERPI), gerida pela Diocese de Beja, foi feita pelos Bombeiros Voluntários de Beja (BVBeja) que à chegada se depararam com a exigência da direção presidida pelo Diácono Domingos Bragadesto (Fraternidade dos Irmãozinhos de São Francisco de Assis).

O impasse manteve-se durante longos minutos, o que levou a que os operacionais, por indicação do comando, tivessem chamado a GNR para tomar conta da ocorrência, uma vez que a doente não era recebida no lar, nem a podiam trazer de regresso ao hospital.

O porta-voz do Comando Territorial de Beja da GNR confirmou a presença de uma patrulha "que nada podia fazer, em virtude de ser uma situação resultante de procedimentos médicos".

O JN falou com o Diácono Irmão Domingos Bragadesto que "confirmou" a ocorrência, rejeitando que se tenha tratado de um caso de "fica ou não fica. A utente não podia voltar para trás e não iria ficar na rua", justificando que tudo resultou "da falta do resultado do teste covid-19 feito no hospital".

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O lar do Centro Social e Paroquial de Nossa Senhora da Luz tem um surto de covid-19 com um total de 57 infetados, 38 utentes e 19 funcionários, tendo o Irmão Domingos Bragadesto revelado que o surto foi detetado "no dia seguinte ao episódio, quando duas utentes foram levadas para o hospital onde viriam a ser testadas e dadas como positivas à covid-19".

Este não foi o primeiro caso em que uma ambulância dos BVBeja ficou retida junto à porta de uma ERPI por recusa de receber um utente de volta à instituição depois de um episódio de doença com passagem pelo hospital. Em meados de abril do ano passado, um homem, de 87 anos, um utente do lar da Fundação Nobre Freire, em Beja, infetado com covid-19, esteve retido numa ambulância à porta da instituição num autêntico "pingue-pongue" do "vai ou fica".

O idoso, era um dos três utentes do lar internados no Hospital José Joaquim Fernandes, naquela cidade alentejana, e que viria a falecer na madrugada de 20 de abril, tornou-se na primeira vítima mortal no Alentejo em resultado da pandemia de covid-19.

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