Castro Verde

Polémica com comunidade cigana leva autarquia a reunir com instituições

Polémica com comunidade cigana leva autarquia a reunir com instituições

As queixas às autoridades e os protestos nas redes sociais de que foi alvo, por discriminação racial contra a comunidade cigana residente num bairro da vila, levaram a Câmara Municipal de Castro Verde (CMCV) a reunir na quarta-feira com diversas instituições ligadas à problemática e defesa dos direitos das minorias.

Visando avaliar de forma conjunta a "controvérsia" surgida em torno da comunidade do Rossio do Santo, o presidente da autarquia da vila alentejana, António José Brito, reuniu com representantes do Movimento SOS Racismo, Letras Nómadas, Silaba Dinâmica e o Alto Comissariado para as Migrações.

A polémica estalou na terça-feira, depois da CMCV ter publicado na sua página de Facebook uma informação covid-19 sobre a comunidade cigana em que dava conta da existência de 17 casos positivos naquele aglomerado populacional, que posteriormente viria a retirar em face dos protestos que a publicação mereceu.

Também os moradores do bairro do Rossio do Santo, onde reside mais de meia centena de pessoas de etnia cigana, reagiram: "A GNR veio dizer que não podemos sair daqui. Há guardas a cercar o bairro e na vila andam todos à vontade".

Na quarta-feira, após o encontro, a autarquia e as instituições presentes emitiram um comunicado conjunto onde a Câmara Municipal esclarece que "não teve intenção de promover qualquer tipo de estigmatização ou discriminação e reconhece que a comunicação utilizada não terá sido a mais adequada", acrescentando que "é sensível às preocupações transmitidas e tomou as diligências necessárias para a sua mitigação". Por seu turno, os representantes associativos presentes "reconhecem a existência de um trabalho de proximidade da autarquia com munícipes ciganos, que importa manter".

Segundo apurou o JN, o Comando Territorial de Beja da GNR não foi convidado a marcar presença no encontro, sendo que no comunicado conjunto a edilidade de Castro Verde afirmou que articulou com a GNR "no sentido de estabelecer um plano para assegurar a fiscalização de confinamento profilático estabelecido", garantindo depois que a fiscalização da Guarda "é a mesma realizada a todas as pessoas sob dever de confinamento e apenas nesses termos".

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Na quarta-feira, quando o caso foi revelado, o capitão Hugo Monteiro, relações públicas do Comando Territorial de Beja (CTBeja) da GNR, justificou que "a situação foi despoletada com um comunicado da autarquia a que a Guarda é totalmente alheia", sustentando o oficial que "tudo o que é dito pela comunidade não corresponde à verdade. Só com a determinação de uma cerca sanitária, pelas Autoridades de Saúde Pública (ASP), poderíamos estar a guardar ou a cercar o bairro", rematou.

Já hoje, depois da emissão do comunicado conjunto o oficial garantiu que "o CTBeja não tem mais nada a acrescentar a este assunto, nem vai efetuar qualquer comunicado sobre o mesmo", acrescentando que não há o registo de qualquer violação ao confinamento obrigatório no concelho de Castro Verde e mantém o patrulhamento e fiscalização normal destas situações", rematou.

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