Amares

Alunos da Secundária de Amares boicotam aulas em protesto contra amianto

Alunos da Secundária de Amares boicotam aulas em protesto contra amianto

Os alunos da Escola Secundária de Amares fizeram, esta terça-feira, boicote às aulas, num protesto contra a existência de amianto na cobertura do pavilhão polidesportivo.

"Não há maneira de resolverem esta situação. Andam a arrastar para ver se esquece, mas nós não podemos deixar que isto caia no esquecimento. É a nossa saúde que está em jogo", disse à Lusa um dos alunos da escola.

Garantiu que o protesto foi "pacífico", que as portas estiveram abertas para quem quisesse entrar, mas sublinhou que os alunos foram "unânimes" no boicote às aulas.

Os pais já admitiram proibir os filhos de fazerem Educação Física, por a cobertura do pavilhão polidesportivo conter amianto.

Segundo Glória Antunes, uma encarregada de educação que tem liderado o protesto contra o amianto, foi dado um prazo à direção da escola, até 26 de fevereiro, para a apresentação de uma "resposta concreta", com datas para a substituição da cobertura.

"Se essa resposta não chegar, vamos endurecer a luta, porque é a saúde que está em causa", referiu Glória Antunes, lembrando que o amianto é uma substância "altamente cancerígena".

Disse que os pais já podem não autorizar os filhos a praticarem educação física no pavilhão.

"Mas nós queremos que eles pratiquem Educação Física, é bom para eles, eles gostam e têm esse direito", ressalvou.

Os professores de Educação Física da escola já enviaram uma carta ao Ministério da Educação, alertando que "o facto das telhas do pavilhão polidesportivo terem mais de 25 anos e estarem degradadas potencializa a libertação de mais fibras cancerígenas para o ambiente".

Uma situação, sublinham, "particularmente agravada, pois alunos e praticantes estão sujeitos aos malefícios do amianto num contexto de prática desportiva, no qual o esforço respiratório é grande".

Dizem que é "imperioso e imprescindível" que se proceda à substituição da cobertura e rotulam de "urgentíssima a eliminação dos inquietantes fatores de risco para a saúde" resultantes do amianto.

O diretor da escola, Pedro Cerqueira, já disse à Lusa que os responsáveis do estabelecimento de ensino têm manifestado, ao longo dos anos, a sua "apreensão" com aquela situação junto do Ministério e que chegaram a pedir alguns orçamentos, que se revelaram "incomportáveis" para os cofres da escola.

Acrescentou que a escola estava incluída na quarta fase da requalificação das escolas secundárias, um programa da empresa Parque Escolar que entretanto foi suspenso pelo atual Governo.

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