O Jogo ao Vivo

Concessão da água

Autarca de Barcelos acusa antiga diretora de esconder documentos

Autarca de Barcelos acusa antiga diretora de esconder documentos

O presidente da Câmara de Barcelos, Miguel Costa Gomes, acusa a antiga diretora do Departamento de Ambiente do Município, Perfeita Fernandes, de não ter fornecido todos os documentos que possuía sobre o contrato de concessão dos serviços de água e saneamento, feito pelo antecessor, Fernando Reis, em 2005.

Recorde-se que o ex-presidente da Câmara, Fernando Reis (PSP), está acusado de um crime de titular de cargo político. Já Perfeita Fernandes e dois administradores da empresa que venceu o concurso estão acusados do mesmo crime em co-autoria.

Esta terça-feira, em sede de julgamento, Miguel Costa Gomes apontou baterias a Perfeita Fernandes, dizendo que a relação entre ambos foi sempre "difícil" e que só quando o processo de concessão chegou ao Tribunal Arbitral é que aquela apresentou os documentos que tinha em sua posse.

Além de, supostamente, não ter fornecido toda a documentação pedida, Perfeita Fernandes, enquanto responsável na altura, também não terá fiscalizado a ação da Águas de Barcelos, permitindo, alega Costa Gomes, que as estradas ficassem "todas esventradas".

O contrato chegou ao Tribunal Arbitral em 2010, ano em que os privados exigiram o reequilíbrio financeiro da empresa, alegando que os consumos previstos nunca foram atingidos. A Câmara acabou condenada a pagar 172 milhões de euros. Este desfecho, justifica Costa Gomes, só aconteceu porque os administradores privados nunca quiseram negociar.

Segundo o autarca, os privados contactaram-no, em 2009, dois dias depois de vencer as eleições pelo PS, a exigir o aumento da água em 38%, a prorrogação do contrato por mais dez anos e uma indemnização de 25 milhões de euros. "Os acionistas nunca mostraram abertura para negociar". Estes seriam, diz, acordos estabelecidos com o antecessor.