Barcelos

Barcelos passa a noite a combater o pior fogo dos últimos 10 anos

Barcelos passa a noite a combater o pior fogo dos últimos 10 anos

Às sete da manhã desta quarta-feira, o incêndio de Barcelos mantinha duas frentes ativas. Vitor Azevedo, comandante distrital das operações no terreno dava conta que um anexo de uma habitação havia sido destruído pelas chamas. Durante a noite, os habitantes juntaram-se para conter o avanço das chamas.

"Este incêndio havia sido extinto na sexta-feira passada, mas não sabemos se voltou a reacender ou foi alvo de uma nova ignição", referiu o comandante das operações, que apontou o forte vento como o principal obstáculo ao combate das chamas.

Carepeços, Aguiar, Tamel S. Fins, Aldreu, Feitos, Fragoso e Palme são as freguesias mais atingidas pelas chamas. A nacional 103, que liga Barcelos a Viana do Castelo e a municipal que liga Palme a Fragoso permanecem cortadas pelos militares da GNR de Barcelos.

Ainda não há uma noção real da área afetada, mas este é um dos maiores incêndios registados nos últimos dez anos no concelho de Barcelos. Ainda não há confirmação, mas é provável que as operações no terreno venham a ser reforçadas com a intervenção de um meio aéreo durante a manhã desta quarta-feira.

A viver desde sempre em Palme, Jose Sá acordou assustado. "Isto nunca tinha chegado até aqui. Acordei com as pessoas a pedir ajuda. Foi um pânico geral, as chamas atingiam uma altura impressionante", explicou ao JN, enquanto fazia vigia junta a casa.

A freguesia de Fragoso è outras das aldeias ameaçadas pelas chamas. Incrédulo com o que via, José Sá rezava para que o incêndio não ultrapassasse a nacional 103. "Se pega aí, as chamas vão parar a Esposende", disse, com receio de ver uma importante mancha verde destruída.

Na fronteira entre Palme e Fragoso, na estrada municipal, as chamas entraram em quintais e terrenos agrícolas. Centenas de pessoas circulam a pé de enxadas na mão, ou qualquer coisa que sirva para acabar com o fogo. A GNR não teve mãos a medir face aos pedidos de ajuda.

Várias ambulância auxiliaram pequenos ferimentos e a inalações de fumo. Fumo este que torna a visibilidade quase nula, por entre caminhos que estão com a iluminação pública apagada devido a estruturas que arderam no meio do "mar" de chamas.

Na freguesia de Palme, o sino da igreja tocou a rebate para juntar os habitantes. "Aqui o que vale as pessoas são unidas e vamos combater as chamas", Deolinda Sousa, que fez, terça-feira, 30 anos de casada e só se lembra de um incêndio igual em 2006.

Nesta aldeias, são os tratores que fazem de bombeiros. "Temos que salvar o que è nosso. A preocupação são as casas", destacou Joaquim Sousa, que vai carregando água para a frente de fogo, onde uma casa desabitada foi consumida pelas chamas.