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Fecho de fábricas agrava crise social no Cávado

Fecho de fábricas agrava crise social no Cávado

O Vale do Cávado ameaça a ser afectado pela crise do têxtil, com maior incidência no concelho de Barcelos, onde se verifica um continuado encerramento de empresas e um desemprego de quase 4000 pessoas.

Manuel Azevedo, de 59 anos, foi um dos 250 operários têxteis a ficar sem trabalho, na sequência do encerramento, há um mês, da fábrica de confecções "THOR", de Barcelos. Agora, enquanto espera pelo fundo de desemprego, inscreveu-se no Centro de Emprego de Barcelos (CEB), que, nos últimos tempos, regista um "corridinho" de pessoas, na tentativa de arranjar novo emprego, algo que está "muito complicado".

"Trabalhei na tinturaria mais de 30 anos e agora, com esta idade, não consigo arranjar emprego. Vivo assustado pela minha sobrevivência, pois além de estar desempregado, a vida está muito cara. Não há trabalho nem dinheiro", desabafou.

Em situação mais dramática está a família Martins. O casal está desempregado há quatro anos, e, durante esses anos, viveram do fundo de desemprego e do Rendimento de Inserção Social. Hoje estão sem qualquer suporte económico. "Vivemos na miséria e apenas contamos com a caridade de alguns familiares e amigos. Está a ser horrível", afirmou Rosa Martins, ex-operária têxtil, presentemente, a frequentar um curso de Informática, no CEB.

O drama do desemprego e do encerramento de empresas têxteis assusta agora o Vale do Cávado, fazendo recordar os "anos negros" do Vale do Ave, na década de 90. Só no concelho de Barcelos, nos primeiros quatro meses deste ano, cerca de duas dezenas de empresas têxteis fecharam as portas, e, segundo o presidente da Câmara de Barcelos, Fernando Reis, prevê-se, a curto prazo, "novos encerramentos de pequenas empresas".

"As grandes fábricas de Barcelos têm fechado, levando a que o concelho registe já cerca de 4000 desempregados", revelou o autarca, numa alusão a empresas têxteis emblemáticas já encerradas no concelho, como o Grupo Barcelense, a Associação de Tecidos de Barcelos, a João Duarte, e mais recentemente, a THOR.

O JN apurou junto do Centro de Emprego de Barcelos que o número de inscritos, no passado mês de Setembro, foi de 3858 pessoas.

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