Estado de emergência

Arcebispo de Braga proíbe compassos de carro

Arcebispo de Braga proíbe compassos de carro

A Arquidiocese de Braga decidiu proibir todas as visitas pascais em veículos motorizados. Muitas paróquias tinham já anunciado que iriam fazer circular a Cruz de carro no domingo de Páscoa.

Em Vila do Conde, por exemplo, a presidente da Câmara, Elisa Ferraz, como responsável máxima da Proteção Civil (PC), proibiu. Noutras paróquias, o caso ameaça causar problemas com as autoridades policiais. Face à confusão, D. Jorge Ortiga já avisou todos os párocos.

"Tendo presentes as orientações das autoridades civis, não deve ser realizado qualquer tipo de compasso pascal, percorrendo as ruas das aldeias, vilas ou cidades", diz a mensagem, assinada pelo arcebispo e enviada a todos os sacerdotes da Arquidiocese de Braga, que é composta por 551 paróquias (todo o distrito de Braga e os concelhos de Vila do Conde e da Póvoa de Varzim).

Em Vila do Conde, a paróquia anunciou, ontem à meia-noite, a decisão. Elisa Ferraz decidira proibir a intenção do pior Paulo César Dias de circular em marcha lenta, no domingo, com um carro da PSP e outro dos Bombeiros de Vila do Conde, pelas ruas da cidade, levando a Cruz e abençoando os que viessem à varanda. Seria, dizia o prior, uma maneira de levar o compasso aos fiéis, na impossibilidade de o fazerem a pé, no habitual porta-a-porta. Numa altura em que foi pedida "criatividade" a todos os sacerdotes para levar a Igreja aos que se encontram em isolamento, Paulo César diz que a ideia tinha merecido já "vários elogios e pareceres positivos".

Mas, ontem, num ofício enviado à paróquia e à Arquidiocese, a presidente da Câmara disse "não". Elisa Ferraz explicou estar "perplexa" com a ideia, numa altura em que o país está em estado de emergência, "que impõe a todos o dever geral de recolhimento" e proíbe, entre outras, "celebrações de cariz religioso e quaisquer atividades na via pública, nomeadamente desfiles". A autarca justifica ainda que "também a divisão policial desaconselhou" a iniciativa e, assim, como responsável máxima da PC, não a autoriza.

Para além da missiva de Elisa Ferraz, a Arquidiocese terá recebido outras "reclamações", vindas de autarcas e dos próprios comandos distritais da PSP e da GNR a "desaconselhar" os compassos improvisados.

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