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Câmara de Braga embargou parte da construção de hotel de cinco estrelas

Câmara de Braga embargou parte da construção de hotel de cinco estrelas

A Câmara de Braga embargou uma parte da obra de construção do Hotel Plaza Central, na Avenida Central, e vai fazer, em conjunto com técnicos da Direção Regional de Cultura do Norte (DCRN), uma inspeção ao cumprimento do projeto.

Comentando um comunicado da Associação de Defesa do Património (ASPA) em que se manifesta "preocupação" pelo facto de a DRCN ter enviado ofícios ao município, em julho e setembro de 2022, identificando situações de incumprimento do projeto, o vereador do Urbanismo, João Rodrigues, disse ao JN que foi o município que "detetou e avisou aquele departamento governamental sobre as situações supostamente irregulares".

"O que a DRCN disse à ASPA partiu de informação dos nossos serviços", assegura.

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Conforme o JN noticiou, o novo hotel de cinco estrelas, uma iniciativa do grupo Hotti - a que está ligado o empresário António Salvador - implica um investimento de 16 milhões de euros e tem abertura prevista para a Páscoa de 2024.

Hoje, a ASPA veio dizer-se "muito apreensiva com o impacto da sua volumetria relevante, com cinco pisos, incluindo um parque de estacionamento subterrâneo e massiva ocupação do interior do quarteirão, contíguo a um Monumento de Interesse Público - o Recolhimento de Santa Maria Madalena ou das Convertidas - situado na Avenida Central". E recorda que, em 2019, enquanto membro do Conselho Estratégico para a Regeneração Urbana, manifestou-se negativamente sobre o Hotel.

"Dada a sensibilidade patrimonial da área, em Zona Especial de Proteção (ZEP) das Convertidas e tendo, na envolvente, as ZEPs da Praça Mouzinho de Albuquerque, da Capela de Nossa Senhora de Guadalupe e do Convento dos Congregados, esperava-se que, em 2019 e 2020, a prioridade da DRCN , do Executivo Municipal, bem como da Assembleia Municipal, fosse a integridade do Recolhimento das Convertidas e outros monumentos de interesse público da envolvente, bem como a proteção da frente urbana consolidada da Avenida Central", assinala.

Demolições não previstas

A Associação nota que a DRCN refere que "foram demolidas estruturas para além das que estavam previstas, caso do edifício de ligação entre o hotel e as Convertidas e a fachada posterior do edifício preexistente, pelo que estas demolições configuram obras ilegais".

"Há aspetos do projeto aprovado condicionalmente por esta Direção Regional que não são cumpridos: fachada lateral e posterior, paredes interiores, escadaria principal e corpo de ligação entre o edifício e a Igreja das Convertidas", acrescenta ao organismo, apontando também a "manutenção da solução estrutural em madeira prevista para as coberturas da casa preexistente".

Lembra, ainda, que o último parecer que emitiu "foi condicionado à adoção de revestimento da cobertura ajardinada no novo corpo, em detrimento de godo".

A ASPA diz ter questionado o presidente da Câmara, Ricardo Rio, a quem informou que "a obra foi alvo de embargo parcial à luz das recomendações da DRCN e que o promotor submeteu elementos adicionais que estão a tramitar nos serviços municipais e na DRCN, com vista à reposição da legalidade urbanística".

Incumprimento

Para os defensores do património bracarense, "na prática, as condicionantes arquitetónicas impostas pela DRCN, relativamente ao edifício contíguo à capela barroca e ao edifício do séc. XVIII a integrar no hotel, não foram cumpridas".

Anotam que a parede lateral da Capela foi deixada a descoberto, sem qualquer proteção, após demolição do edifício contíguo, encontrando-se exposta às agruras meteorológicas e suscetível de sofrer agressões de vária ordem, dado que confina com o espaço usado para acesso a obra. E que "a parede exterior da Capela, na fachada de frente de rua, apresenta sinais de degradação acentuada, devida a infiltrações, correndo-se o risco de haver danos cuja gravidade importa avaliar com urgência."

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