Coronavírus

Câmara de Braga pede cerco sanitário para os lares do concelho

Câmara de Braga pede cerco sanitário para os lares do concelho

A Câmara de Braga quer que a Direção-Geral de Saúde instaure um sistema de cerco sanitário aos lares de idosos do concelho, com medidas concretas e específicas que impeçam o alastramento da Covid-19. Método que entende dever ser alargado a todo o país.

Em declarações ao JN, o vereador da Proteção Civil, Altino Bessa, disse que já apresentou a proposta à delegação de saúde. "Não é com planos vagos de contingência, que apenas dizem que é preciso salas para confinar infetados ou pessoas não doentes. Impõe-se uma quarentena total, com medidas concretas, porque não são as pessoas mais velhas que têm o vírus, ele é trazido de fora", afirmou.

O autarca diz que "o Governo está a atuar lentamente" no apoio e na orientação dada às IPSS que acolhem os "mais velhos" e lembra que, no concelho, há - conforme noticiou o JN - cinco lares com utentes infetados: o Asilo de São José, o Centro da AAPACDM, a Resisénior, o lar do Senhor das Graças, em Real, e o da paróquia de Ferreiros. Os três primeiros estão numa espécie de cerco sanitário por ordem da delegação concelhia de Saúde, embora a Resisénior o tenha feito voluntariamente. Um sexto lar, o de Conde Agrolongo, tem uma trabalhadora infetada, que está de quarentena em casa, e está também fechado ao exterior por iniciativa própria.

O número de lares com infetados, disse ao JN fonte do setor, pode subir para oito já que se aguarda para esta terça-feira o resultado de testes feitos a utentes e funcionários nos lares da Irmandade de Santa Cruz e da Assistência São Vicente de Paulo.

O vereador acentua que "esta espécie de cerco sanitário, com isolamento de doentes numa ala, não-doentes noutra e funcionários apartados, foi decidida pela Delegação de Saúde de Braga, por iniciativa própria, já que a hierarquia ainda não deu indicações específicas sobre o modo de proceder".

Altino Bessa critica a falta de autonomia dos organismos estatais na região, que "não têm poder nem para comprar um prego", considera. "O Estado devia dizer às IPSS que se debatem com uma falta gritante de trabalhadores 'contratem dentro das regras de mercado, que nós damos o dinheiro'. Mas nada!", lamenta.