Covid-19

Comerciantes apreensivos com suspensão de aulas na Universidade do Minho

Comerciantes apreensivos com suspensão de aulas na Universidade do Minho

A suspensão das aulas, por tempo indeterminado, na Universidade do Minho (UMinho), em Braga, devido ao caso de um aluno infetado com Covid-19, está a deixar vários comerciantes da zona apreensivos, tanto por causa da faturação, como pela possibilidade de contágio.

A semana começou com as ruas quase desertas e as esplanadas e os estacionamentos com muitos lugares vagos. Na Rua Nova de Santa Cruz, onde proliferam negócios que dependem da comunidade académica, há quem tenha começado esta segunda-feira com "menos de metade da faturação". É o caso de Amélia Abreu, proprietária de um quiosque onde hoje deixou, por exemplo, de vender jornais a funcionários da UMinho. "Já não vieram. Espero que o encerramento não ultrapasse os 14 dias", afirma, olhando para a esplanada das pastelarias "quase vazias".

"Domingo de tarde já não tive clientes. Só algumas famílias de passagem", confidencia Luís Oliveira, gerente de uma pastelaria, mesmo às portas da universidade.

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"Parece que houve um holocausto nuclear lá fora. Só há comerciantes a olhar uns para os outros. Se [a suspensão das aulas] durar mais de duas semanas vai ser complicado", afirma o gerente do restaurante Shanti, Augusto Fernandes, confessando que até serviu mais almoços do que esperava, tendo em conta o cenário na rua.

O mesmo não pode dizer Manuel Soares, dono de uma mercearia. Hoje estava a receber "metade dos clientes" e, muitos dos que entraram, foram comprar álcool etílico, que já esgotou em alguns supermercados. Ao JN dizia-se surpreendido com o alarmismo gerado à volta do coronavírus que, pela primeira vez em quase 20 anos, levou os donos da loja chinesa ao seu lado a encerrarem portas durante duas semanas. "Nunca tinha visto esta loja fechada", sublinha.

Apesar dos possíveis prejuízos, quase todos concordam com a decisão de encerramento dos principais edifícios da UMinho. O mesmo dizem os estudantes, investigadores e funcionários da UMinho que, ontem, aproveitaram para ir buscar material para trabalhar em casa.

"Trabalho com algas, por isso, o meu trabalho está sempre dependente do crescimento delas. Mas a universidade tomou a decisão mais acertada para tentar conter uma possível epidemia", sublinha Mariana Barreiros, aluna de mestrado no Centro de Engenharia Biológica.

Flávia Faria, funcionária da Associação Académica da Universidade do Minho, concorda. "Não sei com quem contactei, frequento locais que todos os alunos frequentam, portanto, é importante garantir que fica tudo normalizado", defende.

António Sousa, investigador que veio do Brasil de propósito para tratar "de burocracias" relacionadas com o doutoramento, ficou "impedido" de resolver todas a questões e vai antecipar o regresso ao Brasil. Mas, mesmo com os constrangimentos, não critica decisão da reitoria.

Estudantes estão a deixar residências

O reitor, Rui Vieira de Castro, adiantou que há 180 estudantes que estiveram próximos do aluno infetado que estão a ser monitorizados pelas autoridades de saúde. Nas residências universitárias, 87 alunos estão em quarentena profilática.

O JN encontrou hoje Sharles Machado, um dos estudantes que estava num dos blocos residenciais em Santa Tecla em isolamento. O moçambicano decidiu sair para casa de familiares, mas confessou que não deverá cumprir a quarentena. "Vou tentar fazer a minha vida normal. Tenho noção que é um comportamento de risco, mas vou proteger-me com luvas e a máscara", disse, ao JN, já equipado com esses acessórios.

Ao seu lado, Gualdino Junior, que vive num dos blocos da residência Santa Tecla que não está em quarentena, também, ia deixar hoje o edifício. "Vou para a minha família, em Aveiro. Estou preocupado, porque tinha estado nos blocos dos estudantes que estão fechados", confidenciou.

"Os meus melhores amigos estão em quarentena. Mas não tenho família em Portugal para sair da residência", lamentou o guineense Mamudo Embalo, estudante de Direito, à porta da residência, sempre de camisola subida até ao nariz, um comportamento repetido por outros jovens ali a viver.

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