Braga

Espera na urgência de Braga chegou às doze horas

Espera na urgência de Braga chegou às doze horas

A urgência do Hospital de Braga esteve entupida na noite de segunda-feira. A impaciência apoderou-se de quem esperava por ser atendido e não conseguia. Registaram-se esperas de mais de doze horas. A administração considera a situação "normal" para a época.

"Estou aqui com a minha esposa desde as duas da tarde. Apenas entrou para a triagem às 18.23h. São onze da noite e continuamos aqui", registou Cácio Chavans, enquanto a sua mulher, com problemas nos joelhos, jantava à porta da urgência do Hospital de Braga. "Eu tenho que conseguir a consulta hoje e levar um comprovativo ao patrão, se não a conseguir perco 30 euros no salário. É inadmissível vir para aqui, serem as horas que são, e nem uma explicação dos responsáveis. Estou aqui à nove horas", denunciou a esposa de Cácio Chavans. Há medida que a reportagem do JN questionava as pessoas que esperavam e desesperavam à porta da urgência, as queixas e histórias de revolta apareciam por todo lado.

"Nem sequer consigo colocar o pé no chão. Estou cheia de dores. Colocaram uma pulseira verde. Ok. Entendo que tenho que esperar, mas oito horas? É de mais. Andamos a pagar impostos para isto. É no que dão estes hospitais de gestão privada", disse revoltada Celeste Antunes. Apenas chamada para realizar a triagem, revelou ainda que houve pessoas que acabaram por desistir de esperar.

"Estava aí gente desde as oito da manhã, a desesperar e que acabaram por desistir ou ir para outro sítio. Se calhar é isso que interessa. Encher os bolsos aos médicos que laboram nos privados", continuou a dizer esta bracarense, que não ouviu uma única explicação dos responsáveis, apesar das tentativas.


Enquanto isto, havia utentes que faziam questão de mostrar o que se passava no placard electrónico, quanto ao tempo de espera, conhecido por "Sistema de Manchester".

 "Já olhou para ali. Para quem tem pulseira azul e verde, o tempo é indeterminado, os casos urgentes, a pulseira amarela, o tempo previsto de espera 240 minutos, ou seja quatro horas. É triste esta situação", explicou um dos utentes, ao mesmo tempo que dizia que já tinha pedido o livro de reclamações e registado uma queixa. Assim o fez, também, o pai de uma utente que precisou dos serviços da urgência do hospital de Braga, que não se quis identificar porque acreditava que estava a ser alvo de perseguição.

"Não me quero identificar porque eu pedi o livro de reclamações. Desde aí está sempre uma pessoa à frente da minha filha, ou seja, estou marcado por este serviço de urgências", relatou, enquanto a sua filha esperava para ser atendida há seis horas, por causa de uma dor de cabeça.

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O JN tentou falar com o chefe de equipa de serviço na urgência, mas sem sucesso, obtendo apenas uma resposta por parte da assessoria. "É norma à segunda-feira registar-se um fluxo grande de pessoas. Assim nos diz a estatística. Esta também é uma época onde os primeiros surtos de gripe começam aparecer, daí que as urgências recebam um número grande de pessoas".

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