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Bom Jesus vai ter câmaras e proibir velas nas capelas

Bom Jesus vai ter câmaras e proibir velas nas capelas

Confraria promete mais segurança e iluminação na estância candidata a Património da Humanidade pela UNESCO. Obras finais custam 1,4 milhões.

A basílica do Bom Jesus do Monte, em Braga, vai passar a ter câmaras de videovigilância, mais iluminação, um sistema de deteção de incêndios, sensores que monitorizam em tempo real a temperatura e humidade do espaço e uma intervenção de restauro que vai deixar à vista dos visitantes algumas pinturas e traços arquitetónicos que se foram perdendo com o tempo. No exterior, as velas vão ser proibidas à porta das capelas.

As novidades foram avançadas, ontem, pelo vice-presidente da Confraria do Bom Jesus, Varico Pereira, numa visita à última fase das obras de requalificação, que vão custar cerca de 1,4 milhões de euros. A intervenção tem de ficar concluída até junho do próximo ano, isto é, pouco tempo antes da data em que a UNESCO vai anunciar as candidaturas eleitas Património da Humanidade.

"A nossa candidatura está em fase final. Resta-nos o trabalho diplomático. É preciso convencer os embaixadores de 75 países a votar em nós", afirmou Varico Pereira.

Marmoreado escondido

Por enquanto, a preocupação tem-se centrado na "maior obra de conservação e restauro" feita na basílica, desde a sua criação, em 1811. "Não vai haver um único centímetro que não seja alvo da nossa atenção", acrescentou Luís Aguiar, coordenador da obra. E apontou, logo à entrada, na sacristia, a primeira descoberta: um marmoreado "de qualidade excecional" que estava escondido por tinta cor de creme.

"O outro grande desafio tem a ver com pinturas. Em 1977, houve uma repintura do espaço que alterou a originalidade. Nos tons vermelhos, o contraste é grande", exemplificou, enquanto subia os andaimes que, por estes dias, ocupam grande parte da igreja.

Cá fora, a arquiteta Teresa Ferreira, de outra empresa, orienta os trabalhos no pórtico, escadório e em seis capelas que ainda precisam de uma limpeza e restauro que lhes devolverão, por exemplo, murais que estavam escondidos.

"As velas são um drama no património", afirmou a profissional, sublinhando que a falta de iluminação solar também prejudicou as estruturas. Para resolver o problema, foram podadas árvores e a confraria promete mais iluminação.

A última fase das obras - que tiveram início em 2014 - conta ainda com a limpeza e reflorestação da mata, ao longo do escadório, e a criação de um centro de acolhimento e memória.

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