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Câmara vai para tribunal reclamar defeitos do estádio do Braga

Câmara vai para tribunal reclamar defeitos do estádio do Braga

A Câmara de Braga diz que os defeitos encontrados nas ancoragens da bancada poente "podem pôr em risco a estabilidade e a segurança do estádio". No entanto, Ricardo Rio, presidente do município, garante ao JN que não há necessidade de fechar a estrutura, porque a situação é monitorizada constantemente por um laboratório da Universidade do Porto.

A Assoc, responsável pela obras, desmente e diz que não há qualquer perigo. "Trabalhos realizados de forma grosseiramente deficiente". É assim que a Câmara de Braga classifica a empreitada de construção das ancoragens da bancada pelo consórcio Assoc-Soares da Costa e Associados para o campeonato da Europa em 2004.

Em carta enviada ao agrupamento complementar de empresas, Ricardo Rio adianta que vai honrar o compromisso que deriva de uma decisão judicial, pagando 3,8 milhões de euros por "trabalhos a mais". Mas, "chama a atenção para o facto de ser credor do consórcio por muitos e muito graves defeitos ocorridos na construção do estádio, nomeadamente no que se refere às deficiências nas ancoragens".

Até agora, foram encontrados defeitos em 28 ancoragens, entretanto corrigidas pela construtora DST, a pedido da Câmara. Na mesma carta, o presidente da autarquia lembra que, "independentemente dos prazos de garantia, existe uma situação de evidente responsabilidade contratual do consórcio". E recorda que já foi necessário gastar 500 mil euros na reparação. Ao que o JN soube, será preciso examinar as restantes 500 ancoragens, fazer um estudo de tensão e analisar se há, ou não, desvio, ainda que milimétrico, da bancada.

O problema foi detetado em 2013, ainda ao tempo da gestão de Mesquita Machado. A Câmara Municipal enviou um ofício à Assoc para que assumisse os custos, tendo esta respondido que não lhe cabia qualquer responsabilidade, até porque a receção definitiva da obra ocorreu em 2008. Na ocasião, foi pedido ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil um relatório, que confirmou o problema. Em novo ofício, no mesmo ano, a Câmara disse que as anomalias se deviam a "material defeituoso ou má execução técnica", mas a empresa voltou a rejeitar responsabilidades.

Fonte da Assoc manteve a posição de não assumir qualquer culpa, retorquindo que, aquando da entrega da obra, a Câmara deveria ter feito um contrato de manutenção com uma empresa especializada e não o fez, "para não gastar dinheiro". "São estruturas vivas, sob tensão, e que, como tal, precisam de manutenção", referiu.

A Assoc garante que a colocação das ancoragens esteve de acordo com as melhores práticas e materiais e foi fiscalizada pelo projetista e pela Câmara, tendo sido recebida como apta. Acrescenta que não há qualquer perigo de ruína, sublinhando que a pala foi colocada com apenas 80% das ancoragens a funcionar e sem problemas, pois aguenta perfeitamente. "Atualmente, há apenas duas ancoragens desativadas", disse a construtora.

180 milhões de euros sem as ancoragens

Com as recentes decisões judiciais, o preço de construção do estádio sobe aos 180 milhões. Mas falta saber o custo das ancoragens.

Duas empresas já falidas

A Assoc integra a Soares da Costa (40%), a Casais, DST, ABB, Rodrigues & Névoa, Eusébios, e FDO (com 10% cada uma). As últimas duas faliram.

Câmara recorre

O tribunal deu razão ao arquiteto Souto Moura, que pediu quatro milhões por ampliação do projeto inicial. A Câmara recorreu.

Prenda de Natal

Na inauguração da iluminação da quadra natalícia, no passado sábado, Ricardo Rio disse que a melhor prenda de Natal seria alguém comprar o estádio.

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