Braga

Confissões religiosas juntam-se à mesa

Confissões religiosas juntam-se à mesa

Há quatro dias que membros de 32 confissões religiosas comem à mesma mesa na Aldeia das Religiões, em Priscos, Braga. "Uns são vegetarianos, outros não comem algumas carnes, outros não bebem vinho nem café mas, mesmo assim, é possível que pessoas com crenças tão diferentes se juntem à mesma mesa e façam refeições em conjunto", disse, orgulhoso, ao JN, o padre João Torres, pároco de Priscos, em Braga, e organizador, juntamente com a Capital Europeia da Juventude, do Iº Encontro Europeu que reúne mais de 30 'religiões'.

"Não é um encontro ecuménico porque cada religião tem as suas doutrinas e nenhuma está disposta a abdicar daquilo em que acredita. É um encontro em que colaboramos com outras religiões, mas continuamos a não aceitar as suas doutrinas", referiu o pastor Albino Vieira, da Igreja Adventista. Em espaços contíguos estão representadas confissões religiosas como o Budismo Tibetano, a Igreja Lusitana e os Mórmons, entre muitas outras.

O evento, que termina hoje, foi palco para dezenas de conferências e debates. Com hábitos e crenças tão diversos, um dos aspetos mais difíceis da logística foi mesmo conseguir confecionar refeições que todos pudessem comer. Na cantina, onde 12 voluntárias trabalham afincadamente, não entra nem carne de vaca nem de porco. Nos molhos e temperos, nada de vinho. "O coelho à caçador é temperado com vinho branco, mas, nesta cozinha, o vinho não tempera nada", afirmou Felisbela Ferreira. Arroz branco e batata frita acompanham o coelho. Para quem não gosta, há bifes de frango e de peru. Para os vegetarianos, há crepes e uma imensidão de saladas. Para todos, uma cheirosa sopa de legumes.

O problema está na sobremesa. A variedade é imensa, mas todos querem provar o famoso pudim abade de Priscos. Também aqui, há duas versões: a original, feita com toucinho de porco e a 'outra', feita com todos os outros ingredientes, excetuando a carne.

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