Braga

"Minho tem todas as condições para se constituir como marca"

"Minho tem todas as condições para se constituir como marca"

E se de repente se juntasse à mesma mesa a política, a banca, o tecido empresarial e a investigação, quatro vértices que aparentemente a crise incompatibilizou? O JN arriscou e o resultado não foi mais do mesmo.

À boleia do 125.ª aniversário, o JN desafiou agentes do Norte para discutirem a solução para o país e para o distrito de Braga num contexto de crise. Da conferência, realizada ontem na Universidade do Minho, saiu uma ideia-chave: Braga tem condições para afirmar-se no futuro, mas falta-lhe criar uma marca e obter maior cooperação entre os actores regionais para reivindicar face ao poder central.

José Mendes, vice-reitor da Universidade do Minho (UM), traçou o diagnóstico - "Opaís tem um desequilíbrio crónico da balança comercial, exporta menos (35%) do que importa" - e fez o prognóstico: "Num mundo globalizado é difícil encontrar quotas de mercado, mas é aí que inovação e empreendedorismo são fundamentais, mas numa lógica territorializada". Era o preâmbulo para explicar o carácter diferenciador e competitivo do Minho.

"A sub-região do Cávado e do Ave tem condições ímpares para ser uma start-up." E desmistificou o conceito. "Uma start-up não é apenas uma empresa tecnológica, pequena, constituída por jovens. É trabalhar de forma inovadora com sectores tradicionais e com carácter fortemente exportador."

Por isso, insistiu, "a região tem capital humano e cultura empreendedora (no país há 2,8 empresas por cada mil habitantes, no Minho a média sobe para 3,8), capital intelectual (90% dos 1200 docentes da UM são doutorados) e cultura exportadora (duas das maiores exportadoras, Bosh e Continental, estão ali sediadas) e infraestruturas de qualidade que suportam a actividade económica." Além disso, está em contraciclo relativamente à demografia nacional: "Cávado cresceu 4,3% em dez anos e tem população mais jovem que a média nacional".

Se a ideia é "deixar de ser receptáculo de financiamento para ser alvo de investimento", Luís Melo, do departamento de Empresas Norte do BES, ofereceu a caução bancária. "Nenhum bom projecto deixará de ser viabilizado por falta de financiamento". O BES "estará ao lado das empresas ganhadoras", aumentando o crédito em 12,5%. Cavalgando o discurso otimista, Guálter Santos, administrador da Filinto Mota, defendeu que o segredo é "investir nas pessoas e pensar fora do quadrado". Em Portugal, criticou, "há demasiado trabalho de gabinete". E demasiada "encenação", acrescentou Carvalho da Silva, professor universitário, citando Krugman, Nobel da Economia. "A crise tornou-se numa instituição usada de forma perversa". Se nada for feito, "assistiremos à sangria de uma geração."

Guimarães deu o exemplo das boas práticas. "A Capital Europeia da Cultura cumpriu o orçamento à risca, em vez de importar cultura, criou-a reinterpretando o território, e com isso ganhou a cidade", resumiu João Serra, director da CEC. Anteontem a cidade foi distinguida pela Sociedade Portuguesa de Autores com o prémio para melhor política cultural autárquica.

"Quanto mais longe de Lisboa, menos política"

Na sessão que marcou o balanço da presença do JN durante um mês em Braga - o primeiro de seis distritos em que o diário fará escala -, Manuel Tavares, o diretor, enalteceu a "relação de proximidade com os leitores" e apontou-a como sendo o caminho certo. "O país, a Europa e o Mundo precisam cada vez mais de intermediação e o jornalismo precisa de voltar ao terreno, às pessoas. Sem pessoas não há jornalismo." Foi esse o objectivo do JN ao instalar-se em Braga, itinerância de que resultaram 155 páginas. A editoria menos beneficiada foi a política, cinco páginas em 25 dias. Manuel Tavares explicou a contabilidade com ironia: "Quanto mais longe de Lisboa, menos política."