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Jovem de Braga morreu com covid e mãe põe em causa alta hospitalar

Jovem de Braga morreu com covid e mãe põe em causa alta hospitalar

Embora diga que não vai processar hospital, lamenta decisão tomada por médica e a falta de meios.

Gabriela tinha 19 anos e era conhecida pelo seu constante sorriso. No dia 9, quinta-feira, sentiu-se mal, com febre a chegar aos 39 graus, e foi levada de ambulância para o Hospital de Braga. A mãe, Susana Quintas, acompanhou-a. Gabriela fez um teste que resultou positivo para a covid-19. A médica que a atendeu deu-lhe medicação e a febre desceu. Foi-lhe dada alta hospitalar. Que a mãe contesta por considerar uma má decisão. O hospital abriu um inquérito.

Susana Quintas, que há vários anos deixou de trabalhar para cuidar da filha, voltou para casa, não mais largou Gabriela, vigiando-a e dormindo a seu lado. Mas a filha, que tem síndrome de Dravet, não melhorou. Não comia e nem queria beber, mantendo-se a febre.

Massagens cardíacas

Anteontem à noite, a jovem piorou, teve uma paragem cardiorrespiratória e acabou por morrer. A mãe esteve oito horas a lutar pela sua vida, depois de não conseguir ambulância nos bombeiros locais e na Cruz Vermelha, alegadamente por falta "de meios adequados para transporte de doentes com covid".

Fez massagens cardíacas a conselho de quem a atendeu, já de madrugada, na Linha Saúde 24 até os médicos do INEM chegarem. A pulsação cardíaca foi recuperada pelos clínicos e Gabriela foi levada para o hospital. Ali morreu.

"A Gabriela não devia ter tido alta do hospital. Embora a febre tenha descido, estava desidratada e tinha a tensão muito baixa", afirma Susana, mãe de outra rapariga e de um rapaz, contestando a decisão médica tomada cinco dias antes do óbito. Na altura, à jovem foi recomendada a toma de Benuron e que se chamasse uma ambulância caso o estado de saúde se agravasse.

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Susana vai enterrar hoje a filha, mas não cala a revolta. Diz que, em princípio, não vai processar o hospital - por ser um processo "moroso e desgastante"- , mas lamenta o modo como o caso foi tratado e a falta de meios. "Foi nítido que havia falta de camas, estava lá um doente à espera de um leito e, por isso, mandaram a minha filha de volta para casa, apesar de eu lhes ter dito que estava muito debilitada", relata.

A médica de serviço terá dito à mãe que o melhor era regressar a casa porque o ambiente hospitalar, em tempo de doenças respiratórias, não era o melhor para a sua saúde. Gabriela não estava vacinada, dado que tinha uma doença grave, a síndrome de Dravet, uma espécie de maleita epilética, com ataques mais fortes.

Hospital só fala do assunto após inquérito

A Administração do Hospital de Braga disse, quinta-feira, ao JN, que foi aberto um inquérito interno e que só se pronunciará sobre o caso de Gabriela após a sua conclusão. A unidade de saúde lamenta o falecimento e diz ter já dado os pêsames à família. O funeral realiza-se esta manhã, após missa de corpo presente na Igreja de São Lázaro, em Braga.

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