Braga

Nove meses à espera de cartão de ex-combatente

Nove meses à espera de cartão de ex-combatente

Mário Vilaça, de Braga, precisa de documento para conseguir isenção no passe dos transportes públicos

Mário Vilaça, bracarense com 77 anos, foi combatente em Moçambique, entre 1968 e 1970. Por isso, em outubro do ano passado, decidiu avançar com o pedido de emissão do cartão de antigo combatente, que desde 2020, garante direitos aos cidadãos que estiveram na guerra. Foi o genro, Tiago Ferreira, que tratou do processo e, agora, mostra-se indignado porque, ao fim de quase nove meses, continua sem resposta. Ao JN, o Ministério da Defesa garante que o problema fica resolvido este mês.

"O meu sogro é utilizador habitual dos transportes públicos e uma das vantagens do cartão é a isenção de pagamento de passes intermodais. Já são, pelo menos, oito meses de passes que poderia ter poupado, além da isenção de taxas moderadoras, entre outros benefícios", esclarece Tiago Ferreira.

PUB

O primeiro pedido, dirigido à Direção-Geral de Recursos da Defesa Nacional, foi enviado a 7 de outubro do ano passado. Seguiram-se mais quatro e-mails, além de um ofício ao ex-ministro da Defesa, João Gomes Cravinho. Por telefone, o bracarense ainda tentou contactar o Balcão Único da Defesa, mas sem sucesso. "É uma falta de respeito não terem os serviços a funcionar", entende Tiago Ferreira, convencido de que há outros ex-combatentes "a passar pelo mesmo". "É extremamente lamentável. Ninguém deu nove meses ao meu sogro para se preparar para ir para a guerra", critica o familiar.

385 mil processos

Ao JN, o Ministério da Defesa confirma que o processo de Mário Vilaça "foi analisado e tratado" e que a emissão e expedição do cartão de antigo combatente "irá ocorrer no mês de julho". Sobre a demora na resposta, o gabinete da ministra Helena Carreira aponta o volume de processos como justificação. "Até ao momento foram analisados e tratados cerca de 385 mil processos, tendo em vista a emissão e expedição dos cartões de antigo combatente e de viúva de antigo combatente, existindo situações mais demoradas devido à falta ou à dúvida sobre alguns dos dados pessoais disponíveis na base de dados", esclareceu o gabinete.

Para Tiago Ferreira, a resposta não é aceitável. O genro de Mário Vilaça lamenta que os cidadãos saiam prejudicados pela "falta de meios humanos" do Governo.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG