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Presépio de Priscos lembra crianças desaparecidas e deixa mãe de Rui Pedro "sem palavras"

Presépio de Priscos lembra crianças desaparecidas e deixa mãe de Rui Pedro "sem palavras"

"Foi uma homenagem muito emocionante. Estou sem palavras". Foi desta forma que a mãe de Rui Pedro, o jovem que desapareceu há 23 anos em Lousada, descreveu a visita ao presépio ao vivo de Priscos, em Braga, na tarde deste domingo.

A recriação que recua ao tempo de Jesus, com 600 figurantes e 90 cenários, inaugurou este domingo com uma mensagem de esperança para as famílias que viveram o mesmo drama de Filomena Teixeira.

"A esperança foi sempre a minha meta e a minha força, orientada pela fé que eu tenho em Deus e na Virgem Santíssima da qual o meu filho era um ferrenho adepto, principalmente Nossa Senhora de Fátima. Fui-me agarrando à fé e à esperança de que um dia virei a saber alguma coisa sobre ele", desabafou Filomena Teixeira, já depois de ser mimada com um ramo de flores, ao mesmo tempo que se deu uma largada de balões brancos.

Na zona da taberna, descerrou-se um painel com uma mensagem de alento. "Que a esperança permaneça no coração de cada um de nós. Tu, Rui Pedro, és hoje o rosto dessa esperança", pode ler-se.

O mentor do presépio, João Torres, reforçou que o objetivo do projeto "é inquietar consciências" e lançou duras críticas às autoridades e aos políticos. "Assistimos a um grande acontecimento pela nossa Polícia Judiciária, que consegue descobrir o paradeiro de um foragido à Justiça. Demoraram três meses. Está de parabéns, mas devia-nos levar a refletir se os meios utilizados foram os mesmos que utilizaram há 23 anos para procurar o Rui Pedro", questionou o pároco.

Para o responsável do presépio de Priscos, "é quase um crime" que as famílias de crianças e jovens desaparecidos não tenham acesso a apoio psicológico ou judicial, por exemplo.

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"Se não fosse um homem como o Doutor Ricardo Sá Fernandes, neste momento, não tínhamos condições de vida. Só ele nos apoiou. Tem sido mais do que um pai. Se nos levasse o dinheiro que os políticos pagam aos advogados, não tínhamos o que comer", atestou Manuel Mendonça, pai de Rui Pedro.

Quem se passeou pelo presépio não ficou indiferente à temática. Alexandra Barbosa, de mão dada ao filho Tiago, com 10 anos, acredita que a altura do Natal "é aquela que dói mais, porque é a época das famílias".

É este espírito natalício que leva, todos os anos, milhares de famílias ao maior presépio ao vivo da Europa, com uma área de 35 mil metros quadrados. É o caso de Andreia e António. "O pequenino adora, quer experimentar tudo", afirmou a bracarense, referindo-se ao filho Martim, com quatro anos.

A "singularidade" do presépio ao vivo foi o que levou, também, um grupo, com 42 pessoas, a sair às 4 horas da madrugada de Alenquer. "Já era um plano desde 2019. Fizemos todos testes à covid para vir em segurança", assegurou Alfredo Trinca.

O presépio ao vivo de Priscos vai estar aberto aos domingos à tarde, até dia 9 de janeiro. Há, ainda, uma noite extra a 8 de janeiro.

As regras sanitárias obrigam a uma lotação máxima de 3600 pessoas. A entrada custa cinco euros, para visitantes acima dos 16 anos.

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