Manifestação

Protesto em Braga contra morte de George Floyd junta três centenas

Protesto em Braga contra morte de George Floyd junta três centenas

Mais de três centenas de manifestantes protestaram, em Braga, este sábado, contra a morte de George Floyd, por asfixia, pelas mãos de um polícia, em Minneapolis, nos EUA, iniciativa que foi acompanhada por agentes da PSP, quer fardados, quer à civil.

Marta Dias, uma das organizadoras do protesto, afirmou que a manifestação "Vidas Negras Importam" (Black Lives Matter, traduzido do inglês), pretende "mostrar solidariedade com os muitos protestos que estão a ocorrer nos Estados Unidos da América, e também um pouco por todo o mundo, na sequência do falecimento do cidadão negro George Floyd, vítima de asfixia por um agente da polícia no dia 25 de maio, em Minneapolis, nos EUA".

Segundo os organizadores do protesto deste sábado, "também em Portugal são muitos os casos de violência policial contra corpos negros", afirmando que "o mito de que Portugal não é um país racista perpetua esta violentação dos corpos negros, a par do apagamento do passado colonial e as narrativas luso tropicalistas que sustentam todos esses abusos".

"E quem as perpetua tem o sangue de Alcindo Monteiro e de centenas de outras vítimas nas suas mãos, em que o sistema que rouba as cidades a estas comunidades e as remete para a segregação geográfica é o mesmo que garante que essas vozes nunca tenham espaço no debate público, nem mesmo para debater o racismo, um tema que tanto lhes é próximo", ainda segundo o manifesto que deu lugar ao protesto deste sábado, em Braga.

"Em Portugal assistimos também à violência deste sistema, em que são inúmeros os casos de violência policial contra corpos negros: recordemos os jovens residentes do bairro da Cova da Moura e os abusos que sofreram em custódia na esquadra de Alfragide, as agressões policiais no Bairro da Jamaica e a repressão contra os jovens protestantes que ousaram subir a Avenida da Liberdade, e este ano, a agressão a Cláudia Simões, cujo único crime foi não ter consigo o passe da sua filha de 12 anos", acrescenta a organização.

Outro âmbito desta manifestação, intitulado "Resgatar o futuro, não o lucro", pretende alertar para que "a crise causada pela pandemia da covid-19 veio deixar bem claro que não estamos todos no mesmo barco quanto às consequências inerentes a esta crise", pois "se o normal é o salário dos gestores do Novo Banco (com dois milhões de euros) ser maior que o apoio que o Ministério da Cultura dedicou para as mais de 100 mil pessoas que tentam sobreviver no setor da cultura, então não queremos voltar ao normal", sendo destacado, pela organização, "as 300 mil pessoas obrigadas a trabalhar a recibos verdes, que viram o seu trabalho cancelado a receberem metade do valor do limiar da pobreza".

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