País

Quartel coloca em risco banco de germoplasma

Quartel coloca em risco banco de germoplasma

O Banco Português de Germoplasma Vegetal situado no concelho de Braga tem vindo a sofrer ataques constantes desde a sua fundação. Os mais recentes dão conta a construção do novo quartel da GNR nos seus terrenos.

O banco serve para conservar, estudar, analisar e dentro do possível ceder sementes ou partes vegetativos e vê a sua continuidade ameaçada, devido ao projecto do novo espaço da GNR, mas também devido à possibilidade de redução para metade dos funcionários o que vai hipotecar a estrutura premiada pelas Nações Unidas.

É uma das maiores reservas vegetais mundiais. Está situada na freguesia de S. Pedro de Merelim, e corre o risco de desaparecer caso se insista na construção do novo quartel da GNR em terrenos que lhe são afectos. O Banco Português de Germoplasma Vegetal tem, ainda, funcionários em situação de mobilidade especial.

As indicações chegam pela voz do próprio Ministro da Administração Interna: o novo quartel territorial de Braga da GNR será construído em Merelim, Braga. Ora, para além de não ser consensual, a ideia do Governo promete fazer correr muita tinta. O JN sabe que, apesar de esta localização ser defendida pelo Governo Civil de Braga, não é, de todo, a opinião da Câmara de Braga.

O Banco Português de Germoplasma Vegetal, das maiores estruturas do género no Mundo, foi a única por indicação das Nações Unidas, a receber todas as espécies de milho do Mediterrâneo, e uma das primeiras a avançar para a crio conservação animal.

A directora da estrutura diz estar "cansada" dos ataques que o banco vem sofrendo desde que foi criado: "se houvesse dinheiro, o banco já estava localizado noutro sítio qualquer", começa por dizer Ana Barata que acrescenta: "se estivesse em Lisboa não havia questão nenhuma. Esta unidade sempre teve problemas por estar em Braga". A estrutura é muito procurada por agricultores que plantando híbridos, querem voltar às variedades tradicionais, à agricultura biológica.

A mais recente preocupação tem a ver com a mobilidade especial: "foi feita sem critério e aqui todas as pessoas que trabalhavam com sementes foram embora". "Os trabalhadores vão todos os dias para o banco fazer qualquer coisa, desde que não relacionado com a actividade deles".

O deputado do PCP, Agostinho Lopes, questionou o Ministério da Agricultura, sobre o que considera ser "um crime científico, económico, ambiental, contra o património nacional e a agricultura portuguesa, e a falta de respeito pelo trabalho e carreira profissional dos que imbuídos de um notável espírito de missão pública, científica e profissional lhe dedicaram a sua vida".

Ana Barata, explica que "o trabalho do banco é vivo, permanente e rotineiramente feito de ligações e articulações com o exterior, agricultores e agriculturas, entidades nacionais e internacionais correlativas, como sucede agora com o anunciado projecto de guardar "cópias de segurança" no banco mundial "Arca de Noé Verde" promovido pela Noruega."