Polémica

Recorrem ao "blackface" em praxe virtual no Minho e geram revolta

Recorrem ao "blackface" em praxe virtual no Minho e geram revolta

Vários caloiros do curso de Biologia e Geologia da Universidade do Minho (UM) estão a ser acusados de racismo por se terem pintado de negro (o chamado "blackface") durante um vídeo para uma ação de praxe. Ao JN, o órgão que tutela a praxe na UM, o Cabido de Cardeais, diz que o vídeo não foi revisto e que não se revê naquele comportamento. Já o reitor Rui Vieira de Castro garantiu que vai acionar os mecanismos internos, "visando averiguar os contornos da iniciativa e os seus responsáveis", procedendo "de acordo com o previsto nos seus regulamentos disciplinares."

As imagens, que estão a indignar a comunidade académica bracarense, foram exibidas esta terça-feira durante a latada. Este ano, por causa da pandemia de covid-19, a atividade decorreu virtualmente, no YouTube, e não nos seus moldes originais, ou seja, presencialmente no Centro Histórico de Guimarães.

A tradição foi, ainda assim, cumprida, através da submissão de um vídeo por curso, por parte das respetivas Comissões de Praxe. E foi a película do curso de Biologia e Geologia que gerou mais discórdia pelo facto de os alunos recorrerem ao blackface durante as suas intervenções.

Alguns utilizadores nas redes sociais apelidaram a brincadeira de "mau gosto", por ignorar o que este tipo de representação significa na história da comunidade negra. Censuram, por isso, o divertimento protagonizado pelos estudantes do Ensino Superior.

O vídeo que tinha sido publicado pela Comissão de Praxe do curso referido, acompanhado pelo hashtag #latadaum2021, acabou removido da plataforma devido à polémica.

Em declarações ao JN, o reitor Rui Vieira de Castro garantiu que a Universidade do Minho foi "surpreendida" pela informação veiculada nas redes sociais, pelo que vê "com profundo desagrado e veemente condenação" este "tipo de iniciativas, ofensivas da dignidade humana."

PUB

Revelou ainda que "vai acionar, de imediato, os seus mecanismos internos, visando averiguar os contornos da iniciativa e os seus responsáveis, e procederá de acordo com o previsto nos seus regulamentos disciplinares", afirmou.

"Os tempos de distanciamento físico não podem, em caso momento, significar que os estudantes se distanciem dos valores, princípios e missão da Universidade do Minho", finalizou o reitor.

Também o órgão responsável pela praxe na Universidade do Minho pronunciou-se ao final da tarde. Num comunicado enviado ao JN, o Cabido de Cardeais alegou que "os vídeos não foram revistos" por aquela entidade antes da sua publicação.

Acrescenta também que "a praxe da academia minhota não se revê nem compactua com qualquer tipo de comportamento racista ou discriminatório que prejudique o próximo."

O JN pediu um comentário ao presidente da Associação Académica da UM, Rui Oliveira, mas não obteve qualquer tipo de resposta.

Artigo atualizado pela última vez às 20 horas de dia 9 de dezembro de 2020 com o comunicado do órgão responsável pela praxe na Universidade do Minho

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG