Braga

"Se me saísse o Euromilhões"

"Se me saísse o Euromilhões"

"Até quando Deus quiser...", repete Rosa, a cada pausa. Conta, como já contou muitas vezes, tantas que as lágrimas já não caem. Os olhos negros de Rosa fixam-se, tristes, entregando a Deus o fim da vida do seu Rúben, o filho de 10 anos, que sofre de uma doença degenerativa rara.

Deixou de trabalhar para acompanhar o pequeno Rúben, que nasceu com problemas graves nos intestinos. O diagnóstico tardou e só foi descoberto na Suíça. O mal que lhe consume filho passou a ter um nome, que Rosa não sabe de cor: chama-se Síndrome Mow at-Wilson. "Só há 111 casos em todo o Mundo", explica.

Rosa Rodrigues, de 38 anos, vive com Rúben e com Ana Rita, a filha de 16 anos, numa casa do bairro social Monte de S. Pedro, em Guimarães, para onde mudou há cinco anos. Recebe 230 euros de Rendimento Social de Inserção ao que soma 218 de abono dos filhos.

"230! E descontei eu 20 anos", diz, revoltada. O orçamento é dolorosamente curto. À frente de todas as despesas, há os 200 euros que deixa na farmácia todos os meses, 40 em fraldas e o que vai gastando para que nada falta a Rúben: óculos, botas ortopédicas, exames, transporte. "Se me saísse o Euromilhões...".

Uma assistente social criou uma página no Facebook para ajudar o Rúben e a família. Existe, ainda, um endereço de mail para o qual os interessados podem escrever: ruben_miguel_18@hotmail.com