Cabeceiras de Basto

Assembleia de Baldios de Gondiães deve salários a trabalhadores porque Estado retém dinheiro

Assembleia de Baldios de Gondiães deve salários a trabalhadores porque Estado retém dinheiro

"O Estado não nos paga há vários meses e, por isso, não conseguimos pagar o ordenado aos nossos dois trabalhadores". É assim que Alice Alves, presidente da Assembleia de Baldios de Gondiães, em Cabeceiras de Basto, justifica o não pagamento, desde há um ano, do trabalho prestado pelos dois funcionários, facto que levou duas mulheres a entrar em greve de fome em plena rua.

Alice Alves afirma que os Baldios locais têm a receber 60 mil euros do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), que estão quase um ano atrasados, e que o organismo estatal não desbloqueia, apesar dos pedidos feitos insistentemente nesse sentido.

"Quer eu, quer o presidente do Conselho Diretivo dos Baldios já dispusemos, do nosso bolso, com mil euros cada um para tentar atenuar a situação", salienta, garantindo que os Baldios não têm outra fonte de receita que não a da venda de madeira, mas o ICNF retém o dinheiro.

O JN contactou o ICNF mas não obteve resposta, até ao momento.

Na quinta-feira, conforme o JN noticiou, as duas mulheres, casadas com dois funcionários, entraram em greve de fome exigindo o pagamento dos ordenados e garantindo que estão "na miséria".

À noite foram convencidas a abandonar o protesto: "O presidente dos Baldios Domingos Alves garantiu-nos que pagava segunda-feira os salários em atraso aos nossos maridos, e o da Junta de Freguesia, Manuel Ramos assegurou que, se isso não acontecesse ele resolveria o caso para que não passássemos fome", disse esta sexta-feira, ao JN, uma das envolvidas, Fátima de Jesus Fortuna, de 56 anos.

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A cidadã cabeceirense, que entrou em greve com uma cunhada, ao meio dia de ontem, salientou que o presidente do Conselho Diretivo lhes garantiu que iria hoje ao Porto, para desbloquear a verba que o organismo tem a receber do Estado e que, por isso pagaria, segunda-feira: "acabamos por aceitar a promessa, mas não entendemos porque é que isso não foi feito antes, deixando-nos no desespero", acrescentou, sublinhando que, nos últimos 17 meses, o Baldio apenas pagou quatro mil euros ao cônjuge, ou seja, cerca de quatro meses.

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