Autárquicas 2021

Sondagem suspeita motiva queixa em Cabeceiras de Basto

Sondagem suspeita motiva queixa em Cabeceiras de Basto

A coligação "Fazer Diferente", que junta o PSD e o CDS na corrida autárquica em Cabeceiras de Basto, efetuou uma queixa à Comissão Nacional de Eleições (CNE) e à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) por causa da realização de uma sondagem, com voto em urna, em que no final o inquiridor perguntava o nome e o número de telefone ao cidadão consultado.

Os membros da coligação de direita consideram que esta abordagem é irregular e querem apurar responsabilidades. "Sondagens que não cumprem a lei porque solicitam dados pessoais que não podem ser partilhados e que condicionam a resposta das pessoas", destacou Manuel António Teixeira, o candidato da coligação à Câmara Municipal. Além desta situação, Manuel António Teixeira estranha, igualmente, que nas contas de campanha das restantes forças políticas não surja qualquer gasto com sondagens ou estudos de opinião.

Os inquiridores que abordavam os cidadãos em espaços públicos do concelho estavam identificados com a Intercampus, empresa credenciada para a realização deste tipo de trabalho.

Ao JN, a empresa confirma que realizou um estudo de opinião em Cabeceiras de Basto mas realçou, através do diretor António Salvador, "que deverá ter sido explicado pelo entrevistador, os mesmos são facultativos e servem apenas para o controlo de qualidade do referido estudo de opinião", refutando a crítica de que a solicitação dos dados pessoais possa condicionar a resposta dos cidadãos.

"Quando existe consentimento do entrevistado, os dados pessoais são recolhidos em formulário próprio, não sendo nunca relacionados com as respostas do entrevistado. O boletim de simulação de voto é logo depositado em urna fechada sem qualquer dado pessoal", explicou António Salvador.

Este responsável pela Intercampus garante que a empresa, "com mais de 30 anos de experiência", está devidamente credenciada a adota esta metodologia como sendo um "procedimento habitual nos Estudos de Mercado e de opinião, seguindo por isso as recomendações nacionais e internacionais. Quase três semanas após a queixa, a coligação PSD/CDS ainda não recebeu qualquer esclarecimento da CNE ou da ERC

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O JN já tinha noticiado, em Abril, uma outra sondagem que levantou dúvidas em Cabeceiras de Basto. É que entre Janeiro e Abril, muitos cabeceirenses foram surpreendidos com chamadas para o telefone fixo, tendo como pretexto um estudo de opinião, ou sondagem, para as autárquicas mas a chamada terminava com questões de índole pessoal.

A chamada tinha uma duração de cerca de 10 minutos e as perguntas começavam pelos assuntos de política local. Se era "filiado a algum partido" e, se fosse agora, "quem escolheria como presidente da Câmara". Outras das perguntas prende-se com a "avaliação, de 0 a 10, da prestação do atual presidente da Câmara". Depois destas questões surgem, normalmente, mais três que causaram estranheza. "Quantos filhos tem? Os filhos estão desempregados? Como se chama?".

Nenhum dos partidos assumiu a encomenda deste estudo.

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