Tragédia

Câmara de Esposende desmente PS e nega culpa em derrocada

Câmara de Esposende desmente PS e nega culpa em derrocada

Socialistas responsabilizam autarquia que diz esperar por investigação. Aluimento matou casal de namorados.

Horas depois do Partido Socialista (PS) ter dito que tem "sérias suspeitas" de que a Câmara de Esposende e o seu presidente Benjamim Pereira "têm responsabilidades" na derrocada sobre parte de uma moradia que matou um casal de namorados, Susana Gonçalves e Fábio David, de 22 anos, na freguesia de Palmeira de Faro, a autarquia veio a público desmentir os socialistas e negar a culpa.

Em comunicado, assinado pelo autarca de Esposende, o Município condena de forma "veemente" as tentativas de tentar "culpar a Câmara e os seus técnicos". "O desconhecimento da legislação que enquadra as competências dos municípios, nomeadamente sobre a aplicação do Regime Jurídico de Urbanização e Edificação, aliada à vontade de encontrar um culpado, conduziu a opinião pública a um julgamento sumário sobre o município que se apresenta como uma insuportável injustiça", refere.

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Por isso, a Câmara não se voltará a pronunciar sobre esta matéria e "aguardará, com serenidade, as conclusões das entidades de investigação, focando a sua atenção no apoio às famílias deslocadas e aos familiares das vítimas".

Nota da polémica

A reação surgiu depois de socialistas de Esposende afirmarem, numa nota, ter "sérias suspeitas" de que a edilidade "tem responsabilidades" na derrocada. O PS local afirma lamentar ter sido necessário "ocorrer uma fatalidade" para que se percebesse que, em Esposende, "a lei tem sido de aplicação meramente facultativa".

"A Câmara é conhecida pelas facilidades, concedidas a alguns, permitindo construções em cima de linhas de água, sobre escarpas, sobre dunas primárias, em violação de Planos de Ordenamento, tudo sem que até agora as entidades competentes tenham agido administrativa e criminalmente", lê-se no comunicado divulgado anteontem.

A derrocada aconteceu na madrugada da última quarta-feira. Susana e Fábio David estavam a dormir quando terras e pedras gigantes deslizaram e atingiram parte da moradia onde estavam também a mãe e o padrasto da jovem, bem como dois irmãos de dois e 12 anos. A hipótese de ter sido a intensa chuva a acionar o aluimento está a ser averiguada.

À espera do regresso

Os moradores das casas contíguas à moradia afetada foram obrigados a sair, depois da Câmara decretar situação de alerta. "Espero que, entretanto, tudo se resolva. Ainda assim, prefiro estar fora de casa do que em casa com risco", disse ao JN um dos moradores, que não quis identificar-se, acrescentando que confia na avaliação que está a ser feita por técnicos e especialistas da Universidade do Minho que, ontem, continuavam no local, que foi vedado.

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