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Estado não foi ouvido sobre insolvência da Coelima nem recebeu pedido de apoio

Estado não foi ouvido sobre insolvência da Coelima nem recebeu pedido de apoio

O sindicato têxtil do Minho disse este sábado que o Governo não foi ouvido sobre a decisão de insolvência da Coelima, apesar de ter uma participação na ECS, nem recebeu qualquer pedido de apoio da empresa face à covid-19.

A CGTP e os sindicatos representativos dos trabalhadores da Coelima estiveram reunidos, esta sexta-feira, com o secretário de Estado da Economia, João Neves. Um encontro "profícuo", no qual foi debatida a situação da têxtil e das restantes empresas do grupo.

"Ficamos a saber que, apesar de o Estado ter uma participação da ECS Capital [que gere o principal acionista da empresa -- o Fundo de Recuperação], não foi ouvido sobre a decisão de apresentar a empresa à insolvência", afirmou o coordenador do Sindicato Têxtil do Minho e Trás-os-Montes, Francisco Vieira, em declarações à Lusa.

De acordo com o sindicalista, no encontro, o Governo garantiu ainda não ter recebido qualquer pedido de apoio da têxtil para mitigar o impacto da pandemia de covid-19.

"Ficou claro que essa narrativa utilizada na ata e como fundamento para a apresentação da insolvência não foi verdadeira", sublinhou.

A isto soma-se a notícia de que, no primeiro trimestre de 2020, esteve em cima da mesa a venda de todas as empresas do grupo, o que acabou por não se concretizar.

Francisco Vieira adiantou também que o executivo assegurou que "não se exime das responsabilidades e que está empenhado em encontrar uma solução para a empresa" e para os 250 trabalhadores, apesar de não estar "demasiado otimista" quanto ao desfecho da situação da fábrica.

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A Coelima - Indústrias Têxteis apresentou-se à insolvência no passado dia 14 de abril, na sequência da quebra de vendas "superior a 60%" provocada pela pandemia e da não aprovação das candidaturas que apresentou às linhas covid-19.

O anúncio da sentença de declaração de insolvência foi publicado em 22 de abril, com a empresa a apresentar um passivo de perto de 30 milhões de euros e cerca de 250 credores no final de 2020.

Em 26 de maio a administração da têxtil Coelima anunciou que não iria apresentar um plano de insolvência com vista à recuperação da empresa, por não estarem "reunidas as condições que permitam assegurar a manutenção da exploração".

Em 2 de junho, a têxtil Mabera, de Vila Nova de Famalicão, apresentou uma proposta de recuperação e manutenção dos postos de trabalho da insolvente Coelima, que se segue a outras duas avançadas por dois consórcios de empresas do Vale do Ave.

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