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Guimarães

Figueiredo parou para se despedir das vítimas do acidente na A1

Figueiredo parou para se despedir das vítimas do acidente na A1

Realizaram-se esta quarta-feira as cerimónias fúnebres dos três vimaranenses que morreram no despiste do autocarro, ocorrido na manhã do passado sábado, na A1, na zona da Mealhada, quando, quando se dirigiam na excursão anual da União de Freguesias de Leitões, Oleiros e Figueiredo ao Santuário de Fátima.

Figueiredo parou, na tarde desta quarta-feira, para se despedir de dois habitantes muito considerados na aldeia. Alberto Soares, de 78 anos, foi o fundador dos escuteiros da terra e por isso, na frente do cortejo fúnebre seguia uma guarda de honra constituída por elementos do agrupamento local. Francisco Mendes, o chefe dos escuteiros está desolado: "Só não fui a este passeio porque havia uma cerimónia dos escuteiros, em circunstâncias normais teria ido com eles."

Entre a primeira cerimónia, às 15 horas, e o funeral da outra vítima de Figueiredo, Emília Castro, de 52 anos, grande parte das pessoas não voltou a casa ou aos empregos. Umas atravessaram a rua, entre a capela mortuária e o cemitério, para participar no velório, outras espalharam-se pelas sombras à espera das 18.30, para a última despedida. Havia muita gente jovem em lágrimas, nomeadamente membros dos diversos grupos da paróquia que a falecida ajudava a dinamizar.

Em Airão, a pequena igreja não chegou para albergar todos os que se quiseram despedir de António Araújo, o motorista e proprietário do autocarro, de 58 anos. Foi preciso recorrer ao salão paroquial para acolher as centenas que vieram dizer um último adeus a António Araújo. "Ao longo dos anos, ele transportou tanta gente, em tantos passeios, viagens e excursões, sempre com uma enorme simpatia, não estou nada admirado com esta multidão que vemos aqui hoje", partilhou Eduardo Simões, que participou em algumas dessas viagens e veio de perto de Felgueiras, impressionado com a morte prematura. A cerimónia religiosa contou com muitos membros do clero, em solidariedade com o padre Rui Araújo, filho do motorista. "Meu pai, partiste muito cedo, no que gostavas de fazer. Quanto zelo pelos autocarros e na condução", escreveu Rui Araújo, numa publicação no Facebook, em memória do pai.

Mês de peregrinações

O presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Domingos Bragança, e a vereadora responsável pela Ação Social estiveram presentes nos três funerais, dando corpo a uma consternação que atravessa todo o concelho, numa altura e que são comuns as peregrinações ao Santuário de Fátima, partindo das diversas freguesias.

Emília Castro, Alberto Soares e António Araújo morreram na sequência do despiste de um autocarro na A1, na manhã do passado sábado, por volta das 9.30. A excursão tinha partido de Guimarães, às 6.30, e dirigia-se para o Santuário de Fátima. Os primeiros testemunhos apontam para o rebentamento do pneu frontal do lado esquerdo como causa do acidente. A viatura atravessou os separadores centrais e a via do lado contrário e foi embater num poste. Do acidente resultaram as três vítimas, hoje sepultadas, e 33 feridos. No socorro, que obrigou a cortar a A1 durante várias horas, estiveram envolvidos 130 operacionais, apoiados por 57 veículos. O Ministério Público já abriu um inquérito para apurar as circunstâncias em que ocorreu o acidente.

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