Guimarães

Garry Stewart de volta a Guimarães

Garry Stewart de volta a Guimarães

Há dois anos, quando Guimarães passou a acolher um festival internacional de dança contemporânea, batizado GUIdance, escolheu nada menos que Garry Stewart para a abertura. Garry Stewart é o multipremiado diretor do Australian Dance Theatre desde 1999, é um dos coreógrafos mais conceituados na Austrália, considerado um dos 50 melhores coreógrafos contemporâneos do mundo - por arriscar muito e ganhar sempre -, Garry Stewart é uma segura ovação por antecipação.

Há dois anos, pela primeira vez em Portugal, Stewart apresentou "Be your self", performance que explorava a natureza e as fronteiras do ser humano e da sua individualidade, criação no fio da navalha que conjugava dança, música, palavra, vídeo e arquitetura numa experiência tridimensional intemporal. E arrebatadora. Hoje, o australiano regressa para inaugurar a terceira edição do GUIdance, que decorrerá até dia 23, e por onde irão passar oito companhias. Desta vez, os espetáculos acontecem no Centro Cultural Vila Flor, mas também na Black Box da Fábrica ASA e no Centro para os Assuntos da Arte e Arquitetura [ver caixa].

Guimarães será a décima cidade a receber "Proximity", estreada em Janeiro, em Bruges, na Bélgica, e da qual se espera tudo porque do versátil Garry Stewart não pode esperar-se menos. Foi ele quem disse, numa entrevista, que não aceita repetir-se. "Para mim, é importante estar sempre a dar o salto para algo misterioso e desconhecido. Não gosto da ideia de chegar a um lugar, eu nunca chego plenamente a lugar algum." Assim, "Proximity" volta a ser um desafio poético para o público, que verá a imaginação ser espicaçada por uma coreografia em que os bailarinos contracenam com imagens projetadas em vídeo, suspendendo a realidade, criando novas dimensões para a fisicalidade e para a perceção da distância e da intimidade. A tecnologia ao serviço da filosofia. É nesse diálogo perturbador, arriscado e ousado, que Garry Stewart é mestre.

Ao GUIdance regressa também Olga Roriz (dia 21), que trará "A cidade", reflexão sobre o desgaste urbano, com banda sonora de Nick Cave e Melody Gardot. A peça estreou em outubro do ano passado, em Lisboa. Outro aguardado regresso é o da japonesa Kaori Ito (dia 22), que em 2012 apresentou "Island os no memories", viagem pelo que sobra depois da amnésia, e desta vez, no duplo papel de coreógrafa e intérprete, volta a questionar, em "Solos", o que resta da identidade, mas agora do corpo.

O festival encerra como enceta: com exigência, nivelado por cima. Victor Hugo Pontes, a jogar em casa, mostra o espetáculo considerado o melhor do ano em 2012, "A ballet story". v

Proximity

Garry Stewart, Australian Dance Theatre. Centro Vila Flor (CCVF), hoje, às 22h

Altered natives say yes

to another excess - TWERK

Cecilia Bengolea e François Chaignaud, na Black Box da Fábrica ASA. Amanhã, às 22h

O peso de uma semente

Marina Nabais, no CCVF.

Hoje, às 15h, sexta, às 22h

O reverso das palavras

Tânia Carvalho, CCVF, sábadi, às 22h

Regina - The ritual wedding

Regina Fiz e Miguel Moreira, Centro para os Assuntos da Arte e Arquitetura. Dia 20, às 22h

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