Lotação

Guimarães fecha espaços culturais após polémica com espetáculo de Nilton e Pipoca Mais Doce

Guimarães fecha espaços culturais após polémica com espetáculo de Nilton e Pipoca Mais Doce

A Câmara Municipal de Guimarães determinou a suspensão temporária de todos os espetáculos em todos os equipamentos culturais do concelho. A ordem acontece um dia depois de um espetáculo de comédia no pavilhão multiusos gerar polémica.

Em comunicado enviado ao JN, a Câmara determina "a suspensão temporária dos espetáculos atualmente programados em todos os equipamentos culturais do concelho". A medida vigora "até que a Proteção Civil Municipal, na qual têm assento as autoridades de saúde e de segurança, ouvidas as entidades gestoras dos equipamentos municipais que acolhem espetáculos, conclua das medidas a tomar".

A suspensão é justificada com a situação epidemiológica que atualmente se verifica no concelho vimaranense, que segundo a Câmara "obriga a adoção de regras mais restritivas do que aquelas que atualmente estão previstas no quadro legal aplicável a estas situações".

A decisão surge na sequência de um coro de críticas de internautas a um espetáculo de comédia realizado este sábado à noite no pavilhão multiusos de Guimarães pela cooperativa municipal Tempo Livre e pela produtora "Meio Termo". O espetáculo juntou os humoristas Nilton, Ana Garcia Martins (A Pipoca Mais Doce) e Hugo Sousa. Foi uma imagem publicada no Instagram de Ana Garcia Martins que se tornou viral e gerou um coro de críticas à organização pela alegada falta de distanciamento físico entre as cerca de mil pessoas que assistiram ao espetáculo.

A partilha de Ana Garcia Martins, cuja foto é de parte das bancadas do espetáculo deste sábado, motivou milhares de reações negativas. A um crítico, a humorista respondeu: "As pessoas cumprem as regras que lhes são impostas. Se acha que as regras são ridículas ou insuficientes, já terá de ir queixar-se a outro lado".

No Facebook, o cenário foi o mesmo, com milhares de pessoas a partilharem a imagem polémica. "Quem autorizou esta anormalidade só tem um caminho possível, apresentar a demissão. É uma falta de respeito para com todos os que respeitam o confinamento", escreveu Rui Correia, membro da bancada do CDS na Assembleia Municipal de Guimarães.

MULTIUSOS CUMPRIU A LEI

Em comunicado publicado no Facebook, o Multiusos de Guimarães assegura que cumpriu "todas as orientações e medidas de segurança impostas pela DGS e pela Resolução do Conselho de Ministros n. 70-A/2020".

A resolução é a declaração de situação de contingência que estabelece limites para o funcionamento de várias atividades. No artigo 21º, nº 1, alínea b) daquela resolução, é dada razão ao pavilhão multiusos. Naquela norma pode ler-se que "é permitido o funcionamento das salas de espetáculos" desde que "os lugares ocupados tenham um lugar de intervalo entre espectadores que não sejam coabitantes, sendo que na fila seguinte os lugares ocupados devem ficar desencontrados".

Ou seja, a resolução do Conselho de Ministros não estabelece qualquer obrigatoriedade de distanciamento físico entre espectadores para recintos fechados, exceto o intervalo de uma cadeira entre espectadores. Só para o caso dos espaços ao ar livre é que a distância obrigatória é de 1,5 metros, mas este não era o caso.

O comunicado do pavilhão multiusos esclarece ainda que a lotação da sala foi de menos de metade: "Num layout de sala com capacidade para 2466 lugares, só foram ocupados 964 lugares correspondendo a 40% da lotação". Assim, concluem, o Multiusos de Guimarães "passou este teste à sua capacidade de organização de eventos com toda a segurança para os participantes e para isto contribuiu o excelente comportamento do público".

Guimarães é um dos concelhos do país com mais casos de covid-19 desde setembro, com uma média diária superior a 20 infetados por cada 100 mil habitantes nas últimas duas semanas. Há ainda surtos em pelo menos três lares, um no Hospital Senhora da Oliveira e mais de 10 turmas em isolamento naquele concelho.

Outras Notícias