Pandemia

Marcha lenta pela restauração invadiu as ruas de Guimarães

Marcha lenta pela restauração invadiu as ruas de Guimarães

Uma marcha lenta de protesto juntou mais de 100 empresários e funcionários dos estabelecimentos de restauração do concelho de Guimarães, este sábado de manhã. "É a falência do setor que está em causa", avisam os manifestantes.

A ação promovida pela Associação Vimaranense de Hotelaria (AVH) começou no campo de São Mamede, junto ao castelo de Guimarães, e percorreu as principais ruas da cidade até ao largo do Toural. Ruidosos, com bombos, panelas e cartazes que anunciavam a morte do setor da restauração, os manifestantes fizeram-se ouvir de forma pacífica e sem qualquer incidente.

"O contexto atual revela que são impostas demasiadas restrições ao funcionamento dos estabelecimentos do setor, o que nos leva a organizar esta ação de protesto e reclamar mais apoios que permitam mitigar o efeito dessas medidas restritivas", justificou Ricardo Silva, presidente da AVH.

O dirigente associativo, também empresário da restauração, revela que "já há despedimentos e estabelecimentos encerrados com caráter definitivo", numa situação que classifica de "preocupante e drástica".

Um dos empresários que já teve de reduzir o número de trabalhadores foi Jorge Lopes, do Oub'Lá, bar situado na praça de S. Tiago, em pleno centro histórico vimaranense. Jorge viu-se obrigado a despedir dois funcionários e não contratou, como é habitual no verão, os três funcionários sazonais: "Já trabalho quase há uma década em nome próprio e nunca tive de despedir ninguém. Queremos empregar pessoas e contribuir para a sociedade, temos um papel a desempenhar, até na parte cultural".

O Oub'Lá era, antes da pandemia, um dos locais privados que mais dinamizava a cultura vimaranense, com concertos, exposições, festas e outros espetáculos, mas está "numa situação insustentável". Jorge não é contra as restrições, mas pede mais apoios pois continua "a pagar as rendas e os impostos".

Com um cartaz na mão, visivelmente emocionada, Fernanda Lemos dizia "estar à beira de despedir os 20 funcionários e de fechar alguma casa". Tem três restaurantes, da cadeia Sabores de Pevidém, na vila homónima. O último abriu-o em janeiro, longe de saber o que aí vinha.

"Este mês ainda consegui fazer os pagamentos, mas eu estou a ver o mês que vem, com o subsídio e tudo, impossível", desabafa Fernanda. Ao lado, um grupo está atento ao que Fernanda diz. São os funcionários. Estão ali solidários com a empresária e comungam daquela dor pois também estão em risco. "Eles são a minha família", diz a mulher, entalada, enquanto as lágrimas lhe percorrem a face. "Deixem-nos trabalhar, é isso que nós queremos", acrescenta.

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