Guimarães

Nunca se tocou com tanta vontade no cortejo do Pinheiro

Nunca se tocou com tanta vontade no cortejo do Pinheiro

Pele dos bombos ficou marcada pelo sangue das mãos dos nicolinos no regresso da festa dos estudantes vimaranenses. Festividades em honra de São Nicolau continuam até quarta-feira.

A tradição voltou a cumprir-se na noite de terça para quarta-feira depois de dois anos em que as limitações da pandemia de covid-19, impediram a realização do número mais popular das Festas Nicolinas. O cortejo do Pinheiro marcou o arranque das festas dos estudantes das escolas secundárias vimaranenses em honra de São Nicolau, que se prolongam até quarta-feira, dia 7.

A noite não estava muito fria, considerando a época, e a chuva deu uma trégua. Portanto, com as saudades que o povo já tinha da festa, estavam reunidas as condições para uma grande "Noite do Pinheiro". Desde manhã de terça-feira, ouviu-se o toque nicolino por todo o lado, com as pessoas a fazerem as últimas afinações nas caixas e nas zabumbas (bombos).

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Nos quatro sábados anteriores, o toque foi ensaiado durante as "Moinas". O pinheiro foi cortado na manhã de terça-feira e às 23 deste dia, quando a junta de bois começou a puxar a árvore, além dos novos e dos velhos nicolinos que integram o cortejo, havia milhares de pessoas nas ruas da cidade. Uns integraram-se na marcha, outros limitaram-se a ficar nos passeios a ver passar o cortejo. Todos com caixas ou bombos. Parece que não há vimaranense que não tenha um objeto destes e, o rufar é ensurdecedor.

Albano Costa parou de tocar para confessar que não é natural de Guimarães nem estudou na cidade. "A minha esposa é que é de cá e os miúdos querem participar. Na verdade, eu também gosto", ri-se. Ao seu lado, está um menino de sete anos, com uma caixa adaptada ao seu tamanho e uma menina de dez, com um instrumento igual aos dos adultos. "Ela já toca a sério, ele ainda é desafinado", reconhece o pai. Em frente da família, Filipe Cunha e outros quatro seguram um enorme bombo, onde tocam à vez. A pele do instrumento, marcada pelo sangue das mãos dos tocadores impressiona o pequeno. "Queres experimentar?", pergunta-lhe Filipe.

RESTAURANTES LOTADOS

O pinheiro é motivo para muitos vimaranenses espalhados pelo mundo regressarem à cidade, para os tradicionais convívios de amigos que antecedem o cortejo.

"Os restaurantes estão todos cheios nesta noite, principalmente aqui no centro. As pessoas evitam conduzir, numa noite em que se bebe mais. As marcações ficam de um ano para o outro. Há dez anos que sirvo sempre os mesmos grupos. O ano passado, houve um que saiu porque os elementos tiveram todos covid, mas foi logo preenchido por outro", relata Pedro Fernandes, do restaurante Buxa, no largo da Oliveira.

Neste dia, os restaurantes de Guimarães servem rojões, o acompanhamento varia entre papas e grelos, mas é difícil encontrar outro prato nas ementas. No Buxa, dois turistas húngaros não tiveram escolha ao jantar "e adoraram", afirma Pedro Fernandes.

O cortejo deste ano foi especial para o deputado André Coelho Lima, membro da Comissão de Festas de 1992, como sub-chefe de bombos. No Pinheiro deste ano, 30 anos depois, foi o seu filho, José Coelho Lima, que ocupou a mesma posição.

Durante a noite, os Bombeiros Voluntários de Guimarães assistiram 16 pessoas devido a situações de intoxicação por álcool, duas devido a quedas e a uma na sequência de uma agressão. A primeira ocorrência foi às 22.50 e a última por volta das 4.30.

As Nicolinas prosseguem com as "Posses" e o "Magusto" (dia 4), a "Missa" e o "Pregão" (dia 5), as "Maçazinhas" e as "Danças de São Nicolau" (dia 6) e o "Baile Nicolino" (dia 7). Como habitualmente, as "Roubalheiras" acontecem sem aviso prévio.

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