à mesa com //jorge dantas Presidente da Câmara de Vieira do Minho

O autarca caçula

A limitação de mandatos, nuns casos, e a indisponibilidade pessoal, noutros, farão com que, nas eleições autárquicas deste ano, oito dos 14 presidentes de Câmara do distrito de Braga abandonem os cargos. Entre eles conta-se gente com a tarimba e o peso político de Mesquita Machado (Braga), António Magalhães (Guimarães), Armindo Costa (Famalicão) e Joaquim Barreto (Cabeceiras de Basto). Jorge Dantas, presidente da Câmara de Vieira do Minho (PS), é o mais novo de todos: tem 41 anos e concorrerá a um segundo mandato, depois de ter ganho o primeiro por 12 votos. "O eleitor de Vieira é muito exigente. Andamos sempre a saltitar entre câmaras lideradas pelo PS e pelo PSD", comenta. Motivo de preocupação para o próximo ato eleitoral? "Estamos confortáveis com o trabalho feito", responde, cauteloso.

Jorge é uma espécie de caçula entre "dinossauros" autárquicos. Nada que o apoquente. "Antes pelo contrário: aprendo muito com os meus colegas mais velhos", assinala. "A relação entre os presidentes do distrito é muito boa, mas falta claramente um estreitar de relações e objetivos entre municípios vizinhos", esclarece.

Em Vieira do Minho, os objetivos estratégicos estão definidos. "Não podemos ter a veleidade de querer ser um polo industrial. A nossa aposta é no mundo rural e na qualidade dos produtos que podemos oferecer. Temos boa gastronomia, excelentes paisagens, fumeiro do melhor. Bom mel. Só nos falta o vinho. Vieira do Minho é, além de frio, o concelho onde mais chove no país - é por isso que não temos vinho".

Sobre gastronomia estamos conversados. O restaurante onde almoçamos é a prova provada da qualidade apregoada por Jorge Dantas. No "Pancada", a D. Arminda não tem ementa. O cliente está obrigado - e ainda bem - a entregar-se ao que lhe apetece cozinhar. Sobre a ementa descrita na caixa deste texto só há uma coisa a dizer: excelente. E para os interessados: os barquilhos são uma espécie de língua da sogra, mas para muito melhor. Saem das mãos de uma senhora de Mosteiro. Juntar aquele doce de jerimu ao cone em que sobressai a canela é toda uma experiência...

Sobre natureza e paisagem também estamos conversados: a serra da Cabreira, a albufeira do Ermal, a paisagem oferecida pela Caniçada são invejáveis trunfos para chamar gente a Vieira do Minho.

Jorge Dantas decidiu, recentemente, mudar o "slogan" do concelho. Trocou a expressão "Terra de Sonhos" por "Gente de Energia". Ele está cheio dela: fala de forma vigorosa sobre o futuro de Vieira. "Não nos podemos resignar, não podemos ser os coitadinhos do Interior". Mas há outro motivo por detrás da alteração. Com os investimentos que a EDP está a fazer no concelho, Vieira do Minho passará a ser, de acordo com o presidente, "o maior centro de produção hídrica do país".

Concelho com 13 mil habitantes, Vieira sofre os efeitos da desertificação, à semelhança de tantos municípios do interior do país. "A cada dez anos perdemos mil habitantes, de acordo com o Censos. É um drama", sublinha Jorge Dantas. "Já temos casos de emigrantes que, depois de terem regressado às suas aldeias, tiveram de voltar para o país onde trabalharam a vida inteira", conta o presidente.

Acresce que "30 por cento a 40 por cento da população é idosa", o que obriga a apostar fortemente na "economia social". "A misericórdia e os lares de idosos são fundamentais, não apenas pelos serviços que prestam, mas também pelo emprego que geram", diz Jorge Dantas. Da política só guarda um pequeno amargo: "Foi por causa dela que casei tarde". Tem um filho de 4 anos e outro a caminho: "Só eles me tiram da política. É que aqui não nos sobra muito tempo. Se não formos a um funeral somos logo criticados...".

restaurante pancada

Mosteiro,

Vieira do Minho

Sopa de legumes

Bacalhau assado com batata

Rojões

Queijo, marmelada e barquilhos com doce de jerimu

Mazouco (tinto do Douro)

Cafés

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