Polémica

Caça à raposa inflama redes sociais

Caça à raposa inflama redes sociais

Uma "batida à raposa" organizada pelo Clube de Caça e Pesca de Santa Tecla, Famalicão, está a gerar uma onda de indignação nas redes sociais e blogues. Apesar de legal, o evento é criticado por "matar seres vivos indefesos".

O anúncio da tarde de caça marcada para dia 26 de fevereiro foi feito pelo próprio clube, mas a foto de um dos cartazes caiu nas redes sociais e deu origem a afincadas discussões entre os defensores e os críticos da caça à raposa.

De um lado, milhares de críticos como Nuno Markl já se manifestaram contra o ato. "Adorava perceber o que move malta a pegar em armas e a ir para o campo desatar a matar estes animais incríveis. Claramente a explicação "para comer" creio que não se aplica. E se a explicação é "por desporto", isso é completamente lunático", desabafou o humorista e locutor de rádio.

O blogue político "Aventar" também critica a convocatória com uma pergunta para os leitores: "Vamos matar um ser vivo?". Os responsáveis pelo blogue acrescentam, em tom irónico: "Anda! Vem! Junta-te ao Clube de Caça e Pesca de Santa Tecla, arma-te de um pau, faz-te de valente e vem dar umas cacetadas num bicho mais inteligente do que tu!".

O grupo Intervenção e Resgate Animal considera que a prática "mais não é senão um abate de animais indefesos" e aconselha mesmo a que os seus seguidores deixem denúncias na caixa de email da Junta de Freguesia de Vale, Telhado e Portela para que se pense "duas vezes antes de licenciarem a próxima".

Evento "está legal"

Em defesa da "batida" insurgem-se outros tantos internautas. Luís Gusmão, gestor cinegético e responsável por governar o território de caça em harmonia com o espaço rural, aventa que "o controlo de predadores é ingrato mas tem que ser efectuado".

Já o presidente do Clube de Caça e Pesca de Santa Tecla adianta que a motivação para a "batida" é precisamente a desportiva. "É um desporto como outro qualquer, é como ir à pesca, também não se reclama por causa dos peixes", disse o responsável.

O clube, que organiza a "batida" em quatro freguesias do concelho famalicense, assegura que "está tudo legal" e aconselha os críticos a fazerem queixa "no Ministério da Agricultura, que foi a entidade que licenciou". Acrescenta, ainda, que a "batida" à raposa "acontece no país inteiro" e "é uma tradição que vem do tempo dos reis, que iam a cavalo".

Debate antigo

O debate sobre o abate da raposa não é novo. O ato está regulado por uma Portaria de 2012 mas a revogação da mesma já motivou várias petições públicas. A norma estabelece que a caça à raposa é legal de 1 de outubro até ao último dia de fevereiro, em terreno ordenado.

O limite de animais abatidos por dia e por caçador é de três, exceto quando o método usado é a "batida". Este método consiste num esforço de grupo em que uma parte dos caçadores espera na zona onde se pressupõe que o animal vai fugir, ao passo que os restantes "batem" a área para encaminhar a presa para a direção do primeiro grupo.