Famalicão

Investimento da Continental que pode criar "300 a 400" postos de trabalho em risco

Investimento da Continental que pode criar "300 a 400" postos de trabalho em risco

O investimento de 500 milhões de euros anunciado há dois anos pela Continental, em Lousado, Famalicão pode estar em risco. Atualmente, apenas parte do investimento, concretizado na instalação de linhas de produção de pneus agrícola, está concluído. O restante aguarda o avanço dos acessos prometidos para aquela zona, pelo Governo, há quase três décadas.

Enquanto a variante que permitirá melhorar os acessos não avançar, os terrenos necessários à conclusão do projeto da Continental estão bloqueados.

Na visita do presidente da república, Marcelo Rebelo de Sousa esta sexta-feira, à fábrica de pneus, o administrador, Pedro Carreira alertou para a "promessa de 27 anos da variante que teima em não aparecer".

"Os Governos passam e continuamos sem essa variante, tão necessária para o cumprimento do nosso projeto que corre o risco de ser retirado", afirmou. "Há máquinas atrasadas porque não podem ser montadas por falta de espaço", adiantou Pedro Carreira referindo que conseguiram o investimento por terem garantias da construção dos acessos.

O administrador explicou que enquanto a variante não for construída, não é possível "expandir" a fábrica por forma a terminar a instalação das linhas de produção em falta. Com o investimento previsto podem ser criados "300 a 400 postos de trabalho".

Pedro Carreira garantiu que tudo o que foi pedido à empresa por parte do Governo foi entregue, e que tecnicamente tudo foi feito. "Não se trata de falta de capacidade técnica", afirmou notando que a questão é governamental, já que quando chega ao Governo o assunto fica "parado".

O responsável da Continental que emprega atualmente, 2400 pessoas e exporta 99% da produção para 69 países, considera que há um "abandono completo" por parte do Governo. "Aquilo que pagamos em impostos dá para 40 variantes", notou.

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Entretanto, adiantou, terão de ser tomadas decisões se o investimento fica em Lousado ou vai para outro local.

O Presidente da República considerou a história da Continental "exemplar", que deve servir de modelo "neste momento da vida nacional". Por isso, quando falava da necessidade de aproveitar a "oportunidade única" dos fundos europeus que Portugal vai receber, notou que não é possível ter um investimento "parado por causa de acessos que deviam ter um calendário e depois têm um calendário completamente diferente".

Por isso, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que os investimentos não podem ficar sem ser executados, e notou que é "bom" olhar para exemplos como o da Continental. "Porque vai ser preciso investir", afirmou referindo que "vai ser preciso criar condições para investir".

O presidente salientou que é necessária uma "base de sustentação política alargada" mas também é preciso que "o tempo seja bem gasto, que a capacidade de decisão e execução sejam adequadas, que a administração pública saiba acompanhar o ritmo da oportunidade que temos de aproveitar, que haja controlo adequado na utilização de dinheiros públicos".

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