Calçado

Protesto força Eureka a entregar papéis do desemprego

Protesto força Eureka a entregar papéis do desemprego

Dezenas de trabalhadores concentraram-se em Vizela e ouviram promessa de que vão receber os papéis para o subsídio de desemprego esta semana.

Os 150 trabalhadores da fábrica de Vizela da Eureka receberam, na terça-feira, a promessa de que vão receber os papéis para recorrerem ao subsídio de desemprego. Na sexta-feira, tinham recebido uma carta na qual a Administração anunciava o fecho da fábrica por dívidas, mas dizia-se impedida de cessar os contratos de trabalho, pelo que seria "imperativo" que aguardassem "pelo processo de insolvência".

Entretanto, o Sindicato do Calçado do Minho e Trás-os-Montes apresentou queixa na Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) e os trabalhadores marcaram uma concentração, na terça-feira, em frente à Câmara. A ideia era caminharem para a frente da empresa, mas não foram, face ao recuo de Alberto Sousa, dono da Eureka.

"Recebemos uma comunicação do advogado da empresa a dizer que os trabalhadores vão receber uma nova carta porque a primeira não foi muito bem esclarecida, para receberem o documento para o desemprego esta semana", anunciou Aida Sá, dirigente do Sindicato do Calçado. Caso a empresa não entregue o documento esta semana, "vai ser a ACT a resolver" a indefinição por que estão a passar os 150 trabalhadores da fábrica, crê a sindicalista.

Salários regularizados

A nível de salários, os trabalhadores têm tudo regularizado, contudo, mantêm-se numa situação de indefinição pois estão dispensados do trabalho e só se podem inscrever no Centro de Emprego quando tiverem o papel da empresa. Alguns confirmaram ao JN que foram abordados para integrar a Asial, de Filipe Sousa, filho de Alberto Sousa.

O encerramento da fábrica da Eureka era um desfecho esperado face ao anúncio do fecho das 13 lojas em Portugal. Aliado a isto, a existência de um PER que contabilizou, em 2018, 22 milhões de euros em dívidas a 622 credores. O fecho das lojas atirou 150 pessoas para o desemprego e, agora com a fábrica, mais 150.

Na quinta-feira, Aida Sá confrontou a Administração com as suspeitas de encerramento da fábrica. "Mostraram-se muito chocados porque nada disso seria possível, e na sexta-feira aconteceu", critica a dirigente sindical. Ao JN, a Administração da Eureka fez saber que "não vai fazer comentários" sobre o assunto.

Grupo tem duas empresas numa só fábrica

O grupo familiar detentor da marca Eureka tem uma só fábrica e duas empresas: a Alberto Sousa, Lda e a Asial. Apenas os 150 trabalhadores da Alberto Sousa foram informados do fecho. A Asial tem cerca de 100 trabalhadores e foi esta que esteve na feira de Milão, onde lançou uma nova marca, a ESC. Haverá, alegadamente, a promessa dos patrões de integrar alguns dos funcionários da Alberto Sousa na Asial. I.P.

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