Memórias

"Valeu a pena a luta para tornar Vizela num concelho"

"Valeu a pena a luta para tornar Vizela num concelho"

Fez esta sexta-feira 40 anos que a GNR disparou balas reais e a população respondeu com foguetes e tiros de caçadeira. As memórias de um ativista,

A população de Vizela entrincheirou-se faz esta sexta-feira quatro décadas para enfrentar a GNR que pretendia criar condições para que a CP pudesse repor a linha férrea cortada pela população em protesto pelo protelar, no Parlamento, da criação do concelho da localidade que então pertencia a Guimarães. O objetivo só foi alcançado em 1998, mas o 5 de agosto de 1982 ficou na memória dos vizelenses como um dos momentos decisivos desta luta. Passados quase 25 anos sobre a reposição do concelho, João Manuel Couto, um dos principais ativistas, não está arrependido.

O contingente da GNR tinha como missão permitir que a empresa de comboios reparasse os 1800 metros de carris arrancados pela população enfurecida devido ao impasse, na Assembleia da República, na criação do município (ou reposição, porque Vizela já tinha sido concelho entre 1361 e 1408). "Foi uma tentativa de nos amedrontar", diz João Manuel Couto.

Partidário da causa desde os tempos de estudante, quando tinha que enfrentar as tiradas causticas dos colegas e professores na Escola Industrial de Guimarães, chegou a militar no "diplomático" Movimento de Reposição do Concelho de Vizela. "Afastei-me porque entendi que tínhamos que ir para a luta de rua". Desde essa altura passou a integrar "A Pesada", responsável por protestos originais, como o desvio do carro do lixo, a destruição do posto municipal de cobrança de taxas ou a instalação de uma forca (para políticos) na Praça de República.

Protestos originais

"A GNR fez fogo com balas reais, chegou a atingir gravemente um rapaz. Respondemos com garrafas de gasolina amarradas em foguetes de romaria, de um lado, e com tiros de caçadeira, do outro", recorda João. Presa numa emboscada, a guarda acabaria por retirar.

Esta sexta-feira foi inaugurado no largo em frente à estação, que agora se chama 5 de agosto, um monumento evocativo daqueles acontecimentos. João Manuel Couto não tem dúvidas de que "Vizela nunca teria atingido o desenvolvimento que tem se não tivesse sido aquela luta".

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