Homenagem

Vizela prestou tributo aos jornalistas

Vizela prestou tributo aos jornalistas

Vizela comemorou este sábado o 24º aniversário da elevação a concelho e reconheceu o papel dos jornalistas no processo.

A efeméride foi assinalada com um monumento aos jornalistas e à liberdade de expressão, inaugurado pelo presidente da Câmara, Vítor Hugo Salgado, e a presença da ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, e de Carlos Magno, em representação dos jornalistas.

Foram vários os episódios em que os jornalistas se viram confrontados com a força da polícia ao fazerem a cobertura das manifestações do povo de Vizela na sua luta pela autonomia. Um dos momentos que ficou na memória dos vizelenses foi quando, em 1982, a RTP filmou a GNR a bater num jornalista. Tratava-se de Afonso Camões e estava a cobrir o boicote da população de Vizela às eleições autárquicas.

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Rogério Ribeiro, de 77 anos, foi o construtor da força que, naquela altura, esteve durante vários dias na praça da República e recorda o papel importante dos jornalistas. "Vizela não votou, mas fizeram alterações à lei para que a eleição fosse válida", recorda. "Estávamos a conversar sobre isso no café e alguém disse: "era enforcá-los a todos". Por isso, tratamos de fazer uma forca", recorda.

A comunicação social amplificou esta como muitas outras manifestações do descontentamento do povo. "Passada uma semana, o meu patrão que tinha estado em Londres e era pelo lado de Guimarães, chamou-me ao escritório e atirou-me com o jornal. Eu não sabia ler nada daquilo em inglês, mas lá estava a fotografia da forca", ri-se. Rogério admite que reconheceu, naquele momento, a importância dos aliados da imprensa para difundir a mensagem. Perante o cabo da GNR é que nunca admitiu ter participado na construção da forca, apesar de ter sido chamado ao posto mais que uma vez.

Afonso Camões ganhou um casaco novo para substituir o que a Guarda lhe rasgou e a rua onde tudo aconteceu passou a ter o seu nome. Os outros jornalistas este sábado homenageados pelo município de Vizela foram Carlos Magno, Lurdes Feio, Leonor Moreira, Rogério Gomes, Margarida Santos, António Lage, Miguel Dimas, Jorge Moreira, Horário da Fonseca, Fernanda Seixas, A. Pereira de Sousa, Alfredo Mourão, Bruno Neves e Luís Humberto Marcos.

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