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Agricultores de Bragança pedem apoio para relançar produção de cereais

Agricultores de Bragança pedem apoio para relançar produção de cereais

Os agricultores do Nordeste Transmontano querem voltar a produzir cereais e a recuperar a importância da região nessa cultura a nível nacional, mas pedem mais apoios no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC) para relançar o setor.

"Bragança já foi o quarto produtor nacional de trigo e o primeiro de centeio, há 30 anos. Isto ainda é possível fazer porque há terra disponível, ainda que em menor quantidade, porque muita foi ocupada por castanheiros. É preciso que a União Europeia mobilize os recursos financeiros de compensação que são necessários para os agricultores da região, que em conjunto com o Alentejo e Beiras, podiam ajudar a relançar a atividade", explicou Luís Afonso, o veterinário de Bragança que é proprietário de uma das poucas moagens que existem no interior de Portugal, durante a primeira Jornada dos Cereais do Norte organizada pela Associação Nacional de Produtores de Cereais.

O empresário acredita que a produção de cereal deixou de ser aliciante para os agricultores porque "foram retirados os apoios que existiam", o que agravou a situação relacionada com a desvalorização do produto para o produtor. "Os preços baixaram muito. Há 30 anos o quilograma do trigo estava a 25 cêntimos, no ano passado estava abaixo disso. Tal como o centeio que estava mais barato do que há 30 anos", afirmou Luís Afonso que acrescenta que se o Governo quer mobilizar os agricultores "tem que pagar".

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Com a guerra na Ucrânia o preço dos cereais disparou, pelo que a necessidade de o país voltar a ser produtor e tentar ser o mais autossuficiente possível está na ordem do dia. Segundo a ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, que acompanhou as jornadas por videoconferência, Portugal produz apenas 18% dos cereais que consome, mas foi aprovada uma estratégia para que passe a produzir 38%, permitindo o aumento das áreas de produção e um aumento em 30% dos apoios aos agricultores transmontanos.

"Precisamos que a Europa seja menos dependente dos cereais dos outros países, mas os agricultores carecem de apoios porque os custos dos fatores de produção subiram, nomeadamente, os adubos. Um saco de adubo há dois anos custava dez euros e hoje custa 25 euros, os fitofármacos subiram várias vezes, tal como os combustíveis", acrescentou o empresário Luís Afonso, defendendo que retomar a produção de cereais contribui ainda para melhorar o mundo rural. "Há limpeza de terras isso previne os fogos, há grão no chão aumenta a fauna cinegética, gera mais caça e mais turismo e rendimento ao agricultor", sublinha.

Os preços "pouco convidativos" pesaram na decisão de abandonar a produção de cereais por parte de Amadeu Fernandes, um produtor pecuário de Bragança. "Estava a ter prejuízos. Podia voltar a cultivar cereais porque tenho terrenos disponíveis, mas para isso seria necessária uma ajuda muito forte, agora 100 euros por hectare nem vale a pena falar nisso. Só para fazer a correção de um terreno e ter um PHneutro custa 400 euros por hectare, mais a sementes, subia para 500 euros. Não compensa", referiu o agricultor.

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