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Bragança vive situação "inédita" de falta de água

Bragança vive situação "inédita" de falta de água

A câmara de Bragança necessitará da mobilização de meios de todo o país, incluindo a intervenção do exército, para garantir o abastecimento de água à população se a seca se prolongar. No pior dos cenários, poderá ser preciso ajuda de Espanha.

Bragança está a elaborar um plano de emergência devido à seca que deverá estar pronto dentro de uma semana. O vice-presidente da autarquia, Rui Caseiro, explicou à Agência Lusa que o plano contemplará "os vários cenários possíveis", incluindo a possibilidade de uma rutura total das reservas.

O município está a viver uma situação "inédita" de falta de água, que já obrigou a recorrer aos sistemas alternativos com quatro meses de antecedência, devido à seca.

As reservas estão a níveis do verão e a única albufeira para abastecimento aos 35 mil habitantes da cidade, a da Serra Serrada, não conseguiu encher durante o inverno. A situação "só melhorará se chover em abril e maio", segundo Rui Caseiro, mas a autarquia está a preparar-se para o pior dos cenários, avançando, pela primeira vez, com um plano de emergência.

Plano de emergência

O plano está a ser preparado em parceria com a Autoridade Nacional da Proteção Civil, o Ministério do Ambiente, através de organismos como o INAG (Instituto Nacional da Água) e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN).

Rui Caseiro prevê que esteja pronto "no final da primeira quinzena de abril", depois de um levantamento dos meios necessários e disponíveis.

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De acordo com o autarca, no pior dos cenários, serão necessários "70 camiões cisterna" a transportar água 24 por dia para os depósitos da cidade, o que implica uma mobilização de meios da Proteção Civil de todo o país.

Neste cenário, será também necessária a intervenção do exército, segundo ainda Rui Caseiro, e a ajuda de Espanha, através de uma unidade militar de Leon, cidade com a qual Bragança mantém, há vários anos, uma cooperação transfronteiriça.

Uma operação deste género poderá ter um custo de 1,8 milhões de euros, segundo dados já avançados anteriormente pela autarquia.

O plano visa ter tudo preparado para não deixar a população sem água, principalmente durante o verão, época em que os consumos disparam, devido às condições climatéricas e ao aumento da população com a chegada dos emigrantes para férias.

Barragem de Veiguinhas será solução

A câmara de Bragança já tinha um plano de contingência que acionou várias vezes nos últimos anos, nomeadamente em outubro, com camiões cisterna dos bombeiros a transportarem água para os depósitos do concelho, mas numa escala menor e menos abrangente do que os cenários contemplados no plano de emergência.

O problema da falta de água em Bragança deverá fica resolvido com a construção da barragem de Veiguinhas, recentemente aprovada pelo Ministério do Ambiente, depois de vários chumbos por se localizar no Parque Natural de Montesinho.

O projeto com mais de 30 anos vai completar o sistema de abastecimento do Alto Sabor, mas a construção só deverá iniciar-se dentro de um ano, pelo que a autarquia terá de continuar a procurar alternativas para garantir água à população em situações de seca como atual, até a nova albufeira estar operacional.

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