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Enfermeiros de Bragança "estão cansadíssimos" e denunciam precariedade

Enfermeiros de Bragança "estão cansadíssimos" e denunciam precariedade

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses realizou, esta sexta-feira, uma ação de protesto em frente ao Hospital de Bragança para alertar para as condições de trabalho agravadas pela pandemia e reivindicar a resolução de problemas que já vêm de 2018.

A organização sindical propõe uma justa e correta atribuição dos pontos para efeitos de progressão na Carreira, situação que se arrasta desde janeiro de 2018 e que o Ministério da Saúde não teve em conta, diz o Sindicato. E quer a resolução das "inúmeras injustiças" criadas pela reformulação, em 2019, da Carreira de Enfermagem e a Compensação do Risco e Penosidade da profissão.

"O Governo não resolveu os problemas com o descongelamento de carreiras. Nesta instituição, temos vários colegas que ainda não foram reposicionados na carreira, outros não transitaram para a nova carreira, como enfermeiros especialistas, e a outros ainda não lhes foram atribuídos pontos para efeitos de descongelamento, ou nem sequer têm homologada a avaliação de desempenho", explicou Alfredo Gomes, delegado do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), numa conferência de imprensa.

O sindicalista disse ainda que os contratos de trabalho precário têm aumentado, "foram transformados em contratos sem termos às pinguinhas". O contrato de "todos os enfermeiros admitidos na Unidade Local de Saúde do Nordeste (ULSN) até 31 de julho passará a contrato sem termo até 31 de março, mas todos os outros que foram admitidos posteriormente cessam o seu contrato quando terminar. E ainda há contratos de substituição, apesar de o Governo ter assumido que ia encontrar em solução em dezembro e até hoje não saiu legislação nenhuma para regularizar isto", acrescentou.

Os problemas da profissão aumentaram com a pandemia: "Agora temos estes problemas agravados e criados outros, nomeadamente as condições de trabalho. Temos ali uma tenda [Hospital de Bragança], onde são atendidos os doentes com covid-19 e não tem condições de trabalho, chove lá e a climatização é deficiente. Os colegas fazem turnos de 12 horas e têm que mudar de calçado porque molham os pés, faz frio."

Nos Cuidados Intensivos, a situação. "Os colegas fazem 12 horas metidos naqueles fatos, o que é uma desgraça e nem têm água fornecida pela instituição para se hidratarem. Os turnos de 12 horas que nos são exigidos são ilegais. Criaram turnos extraordinários com um valor fixo e não respeitam a regulamentação da carreira", acrescentou Alfredo Gomes, sublinhando que os enfermeiros "estão cansadíssimos.

A ULS tem cerca de 750 enfermeiros, dos quais 60 foram contratados ao abrigo do combate à pandemia, segundo os dados fornecidos pelo SEP.

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