Bragança

Festival de Cinema Acessível revela dificuldade em apoiar cegos e surdos

Festival de Cinema Acessível revela dificuldade em apoiar cegos e surdos

Trás-os-Montes não dispõe de língua gestual estabelecida "seja ao nível da formação - o que obriga os que querem aprender língua gestual a ir para fora da região - nem dispõe de fornecimento de serviços de interpretação de língua gestual", alertou esta sexta-feira uma das organizadoras I Festival de Cinema Acessível, que decorreu nos últimos dois dias na Escola Superior de Educação de Bragança (ESEB).

Cláudia Martins docente nesta escola e uma das professoras envolvidas no festival disse esta tarde na sessão de encerramento que "a região não dispõe de quaisquer recursos" de acessibilidade para que invisuais e portadores de deficiência auditiva possam ter acesso às artes performativas e espaços culturais, como museus, teatros ou cinema.

O Festival de Cinema Acessível que teve por objetivo possibilitar que invisuais e surdos pudessem ter acesso à sétima arte e a exposições patentes no Centro de Arte Contemporânea e no Museu do Abade de Baçal, em Bragança, através de audiodescrição.

Muitos dos cerca de 40 participantes com multideficiências, nomeadamente os invisuais nunca tinham ido ao cinema. A oportunidade atraiu pessoas de Mirandela e de Vila Real. "Não estava à espera destas dificuldades. Em Trás-os-Montes não há ninguém que cá esteja fixo para fazer interpretação. Além disso, saber que não tiveram oportunidade de aprender língua gestual portuguesa, apesar de terem 40 ou 50 anos, como nos deparamos hoje com alguns dos participantes. Foi chocante", admitiu Cláudia Martins.

Durante as atividades do festival os membros da organização tiveram que improvisar gestos para comunicar com os participantes surdos. "Foi tudo improvisado. É chocantes que no século XXI isto aconteça porque as pessoas não tiveram oportunidade de aprender língua gestual e tanto carecem dela para comunicar", referiu a docente que não desanimou face às dificuldades e está a projetar a segunda edição do festival.

O festival está associado a um outro projeto de audiodescrição da exposição 'Os olhos azuis do mar' da autoria de Graça Morais, patente no Centro de Arte Contemporânea, realizado no âmbito de um mestrado em Tradução na ESEB.