Bragança

ICNF reforça investimento na prevenção de incêndios

ICNF reforça investimento na prevenção de incêndios

O Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) está a fazer um "investimento significativo" na prevenção estrutural de incêndios, nomeadamente na intervenção em terrenos através de "um reforço enorme na aquisição de máquinas para remoção de combustíveis, abertura de aceiros e de faixas", referiu a diretora regional do Norte daquele organismo, Sandra Sarmento, à margem do seminário Incêndios Rurais, que está a decorrer em Bragança.

O seminário serve para analisar o Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais, "que pretende ser o princípio de um novo sistema porque deixamos de ter um sistema nacional de defesa da floresta contra incêndios para ter um sistema de gestão integrada de fogos florestais", afirmou Paulo Mateus da Agência de Gestão Integrada de Fogos Florestais (AGIF).

O reforço nas equipas de sapadores florestais são outra aposta na estratégia de prevenção de incêndios florestais do ICNF "ao nível do apoio financeiro à sua contratação, por exemplo, agora temos um aviso aberto para apoiar a aquisição de algum equipamento e de serviços para a rede primária em todo o país, aqui no Norte dois lotes muito importantes que já estão a ser implementados, temos também reforçado a contratação de vigilantes", acrescentou a responsável do ICNF.

Já estão a decorrer intervenções na rede viária do Norte Interior, mas segundo Sandra Sarmento "está ainda em fase embrionária", mas prevê-se que ao longo do ano venha a ser "significativa".

O Sistema de Gestão Integrada de Fogos Florestais, que está em discussão pública até 5 de fevereiro, aponta uma estratégia para a década de 2020 a 2030 é uma cadeia de valores que faculta um conjunto de orientações para a utilização e cuidado dos espaços rurais, uma mudança de comportamento dos agentes do sistema e uma gestão mais eficiente.

O seminário que está a decorrer em Bragança e em Valpaços até amanhã junta investigadores, bombeiros, representantes da Autoridade Nacional de Proteção Civil, ICNF e forças de segurança.

Xavier Viegas considera que "faltam pressupostos cumpridos" para executar nova estratégia

O Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Ruais, em discussão pública até 5 de fevereiro, que aponta uma estratégia para 2020-2030, carece de "muitos pressupostos cumpridos", afirmou Xavier Viegas, investigador da Universidade de Coimbra e perito em incêndios florestais.

"Tem ideias e pressupostos interessantes, mas para a sua implementação e realização são necessários ainda muitos pressupostos serem cumpridos. Não é por haver um plano que as coisas mudam de um momento para o outro, tem que haver muito trabalho para mudar muitas situações, desde logo é necessário analisar e conhecer o que não está bem", esclareceu o investigador, que defende que o trabalho de análise "ainda não se acabou de fazer", mas deve ser a base de qualquer estudo e de qualquer plano.

Ainda assim, o investigador considera que se notam mudanças em Portugal desde 2017, ano do grande incêndio de Pedrógão Grande, e que "o país tem uma cara diferente". As mudanças são sobretudo "ao nível da atitude das pessoas, maior sensibilidade para o problema, há mais limpeza junto das casas e das vias nas zonas de floresta, criou-se essa sensibilização, não sei se por força da ameaça das coimas ", enumerou. Trata-se de uma parte essencial para manter as populações em segurança, mas a defesa estrutural, como faixas de gestão, estão planeadas e previstas há anos, "mas não estão concretizadas e realizadas", realçou.

Face a este cenário, continuam a existir falhas ao nível da prevenção dos incêndios florestais, nomeadamente ao nível "da chamada prevenção estrutural", como a melhoria das condições de gestão de combustíveis na floresta e a organização desse setor para ter uma floresta mais ordenada.

A nova estratégia já tem como pano de fundo as alterações climáticas que se verificam atualmente. "Temos que nos preparar para enfrentar situações cada vez mais difíceis, em que as comunidades podem vir a estar em perigo", sublinhou o investigador.

Há cada vez mais incêndios graves, de maior dimensão, que se propagam com muita intensidade, a atingir um grande número de pessoas e, eventualmente, algumas morrem devido aos fogos. Além da tragédia de Pedrógão Grande, em 2017, em Portugal, há ainda os casos da Grécia, Califórnia e agora a Austrália. "Não é um problema de floresta e de bombeiros. É um problema que atinge toda a sociedade. É essa nova dimensão que a sociedade científica tem que perceber", destacou Xavier Viegas.

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