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Partidos exigem tomada de posição do Governo sobre mina de volfrâmio perto de Bragança

Partidos exigem tomada de posição do Governo sobre mina de volfrâmio perto de Bragança

O projeto de exploração de uma mina de estanho e volfrâmio a céu aberto, com lavagem de inertes, prevista para Calabor, Pedralba de la Pradería, em Espanha, a pouco mais de dois quilómetros da fronteira portuguesa, em Bragança, cuja consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) termina na próxima sexta-feira, já motivou reações negativas do presidente da Associação Ibérica dos Municípios Ribeirinhos do Douro, Artur Nunes, e da Comissão Coordenadora Distrital do Bloco de Esquerda.

O deputado do CDS, João Gonçalves Pereira, quer saber se o Ministro do Ambiente e Ação Climática está a par da situação e que medidas vai o Governo tomar no sentido de analisar o projeto e precaver eventuais consequências nefastas para Portugal.

A exploração prevê ocupar mais de dois mil hectares de área de implantação, com "impactos drásticos, severos na alteração da paisagem", segundo o EIA, com implantação prevista para uma área inserida da Bacia Hidrográfica do Douro.

Artur Nunes aponta vários aspetos negativos "porque uma mina a céu aberto tão próxima da fronteira tem implicações ao nível da poluição, criando problemas ambientais numa zona de grande património natural e biodiversidade, como a serra da Culebra (Espanha) que conduz a uma zona vasta como a Sanábria, o Montesinho e o Douro, contaminação de solos, prejuízos para as águas de rios e níveis freáticos. Os prejuízos vão ser provocados em Portugal".

O dirigente daquela associação ibérica, também presidente da câmara de Miranda do Douro, considera que a "tentação de abrir minas ao pé da fronteira é grande" e que os processos são muitas vezes "silenciosos", citando o exemplo do projeto de exploração mineira de urânio em Retortillo (Salamanca).

"Mais uma vez uma mina junto à fronteira que prejudica as questões ambientais e humanas, que prejudica não só Bragança e Sanábria mas todo um território até ao Douro. Se fizermos um balanço entre a parte económica e ambiental será de grande prejuízo ambiental para o lado português", afirmou o presidente da Associação Ibérica dos Municípios Ribeirinhos do Douro que considera que o Ministério do Ambiente e da Ação Climática, bem como a Agência Portuguesa do Ambiente se deviam pronunciar. "As questões ambientais devem estar cada vez mais na ordem do dia, porque os prejuízos não podem ser sempre para os mesmos", acrescentou Artur Nunes.

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O Bloco de Esquerda defende que o Governo português "não pode ser conivente e permitir abusos junto à fronteira, dos quais advenham consequências gravosas para o ambiente e a população portuguesa", exigindo ainda que o Governo tome uma posição oficial na defesa destas populações e destes territórios.

A notícia do projeto de exploração mineira foi avançada em primeira mão pelo Jornal de Notícias na edição de sexta-feira.

O Bloco de Esquerda considera que "o efeito mais óbvio é produzido pela destruição do habitat [de várias espécies]", causando prejuízos na fauna e na flora. No próprio país vizinho, a exploração situar-se-á em plena zona ecológica da Rede Natura 2000".

Aquela força partidária "vê e sente com espanto a postura displicente e o silêncio do Governo português perante a exploração mineira a céu aberto, que se prevê em Calabor, Espanha, mesmo junto à fronteira portuguesa, com evidente e pesado impacto na saúde das populações, assim como nos cursos de água da bacia hidrográfica do Douro e ainda no Parque Natural de Montesinho, podendo mesmo afetar a nível de extinção espécies protegidas de fauna e flora".

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