Carrazeda de Ansiães

Crianças são turistas por um dia

Crianças são turistas por um dia

Cerca de 200 crianças do primeiro ciclo do ensino básico de Carrazeda de Ansiães estão a ser tratadas como turistas. Por um só dia, é certo, mas o suficiente para experimentarem alguns mimos a que os adultos, pelo menos os de bolsa mais composta, costumam entregar-se.

Joana Gonçalves, 7 anos, está estendida na marquesa. Saiu há pouco do cabeleireiro e agora entrega-se às mãos de Vanessa Lima, que lhe massaja as costas. Para isso, a massagista de serviço fez uma pequena formação, de modo a fazer tudo como deve ser. "Isto é fixe. Muito relaxante. Nunca tinha experimentado", sussurra, envergonhada, Joana. "É uma simples massagem de relaxamento para ela ficar mais descontraída", explica Vanessa, formanda natural de São Tomé e que frequenta o último ano do curso de Técnico de Apoio Psicossocial da Escola Profissional de Ansiães (EPA).

Formandos de vários cursos desta escola (embora a iniciativa seja liderada pelo Curso EFA de Técnico de Informação e Animação Turística) estão envolvidos nesta atividade que decorre esta quinta e sexta-feira nas piscinas municipais cobertas de Carrazeda de Ansiães. A estrutura foi transformada num Hotel e SPA, denominado "Ansitur", para proporcionar às crianças "experiências relacionadas com este tipo de ofertas", diz, ao JN, o diretor da EPA, Ricardo Fiães.

Os alunos têm direito a massagens, aromaterapia, chás medicinais, tratamentos de beleza, manicura e pédicure, cabeleireiro, hidroginástica, ginásio, discoteca e bar-lounge, cinema, entre outras mordomias, para além de um passeio em autocarro para ver alguns sítios de interesse na vila. "Só não têm direito, por razões óbvias, ao alojamento", nota Mara Pinto, professora na EPA, que explica que os alunos passam cerca de 15 minutos em cada uma das atividades. "É sem dúvida um dia diferente", sublinha.

Enquanto Mara orienta os trabalhos, Liliana Fernandes, do curso de Auxiliar de Saúde, aplica umas rodelas de pepino nos olhos de Juliana Teixeira, 7 anos. "Estou a tratar da beleza facial da criança e vou ainda aplicar um creme", explica. "Aiiiii... o pepino está a cair!", protesta Juliana, que nunca antes experimentou semelhante coisa, nem sabe ao certo para que serve. "Mas isto está a ser engraçado, estou a gostar muito", sorri. Érica Mendes, no cabeleireiro, não diz nada. A vergonha é grande e faz os olhos baixar até ao chão, enquanto os cabelos ganham novas formas.

Nisto, chega Miguel Carril, 7 anos, confiante, peito cheio. "Já fui à piscina, aos insufláveis, ao trampolim e agora vou para os tratamentos de beleza e ao cabeleireiro. Está a ser muito fixe... ah, ah, e queria dizer que já fiz massagens em Macedo!, gritou, só para que não restassem dúvidas que isto de estar no SPA não é novidade para ele.

Provocação aos rapazes do grupo do Miguel: Então também vão compor as unhas? "Nãoooooooooo!", gritam. Porquê? "Porque isso é coisa de meninas", respondem, entre gargalhadas matreiras. No final do dia, para a posteridade, todos levam para casa uma t-shirt alusiva à iniciativa e uma caderneta com a identificação e foto, onde estão descritas as atividades desenvolvidas.

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