Bragança

Manifestação para manter padre Óscar Paiva em Carrazeda de Ansiães

Manifestação para manter padre Óscar Paiva em Carrazeda de Ansiães

Algumas dezenas de populares de várias aldeias do concelho de Carrazeda de Ansiães manifestaram-se, ao final da tarde deste domingo, contra a eventual transferência do padre Óscar Paiva para outro município.

O protesto ocorreu junto à igreja matriz da vila, onde pouco depois das 18 horas começou uma missa, presidida pelo bispo da Diocese de Bragança-Miranda, José Cordeiro, para a apresentação de um novo pároco, o padre Bruno Dias.

A GNR esteve presente para garantir a segurança do bispo perante os ânimos exaltados dos populares, que se fartaram de gritar "queremos o padre Óscar", "o bispo vai para a rua" entre outras palavras de ordem.

José Cordeiro entrou no recinto da igreja a conduzir o seu carro e foi logo levado para dentro do templo. O pároco de Carrazeda, Humberto Coelho, ainda tentou falar com os manifestantes, mas perante a vozearia acabou por desistir e entrar também.

Após mais de uma hora de missa, o bispo de Bragança-Miranda saiu do recinto também de carro, perante o olhar atento da GNR, sem dar qualquer explicação ao povo que se manifestava, ou aos jornalistas presentes, sobre a transferência do padre Óscar. A Diocese mantém-se, por enquanto, em silêncio sobre este assunto.

Manuel Carlos Gonçalves, residente no Amedo, foi um dos elementos integrantes da manifestação. Disse não concordar com a decisão do bispo, que, "apesar de ser católico, separa o rebanho em vez de o unir". Por isso foi ali "exigir uma explicação para a saída do padre Óscar".

"Enviamos uma carta ao bispo a pedir explicações, causou algum burburinho, mas não nos respondeu", reforçou, por seu lado, Mafalda Araújo, residente nos Pereiros. "O padre Óscar disse-nos que gostaria de continuar connosco", acrescentou, enquanto Maria Cabral, residente em Codeçais, sublinhou que "o padre Óscar está nas paróquias mais distantes da civilização e que não é justo que lhe façam o que estão a fazer".

O JN falou com o padre Óscar Paiva, mas este não quis comentar a realização da manifestação a favor da sua permanência, na qual não esteve presente. Limitou-se a dizer que "gostava de continuar" a sua missão no concelho de Carrazeda, onde é, ou era, responsável por 11 paróquias, num total de 21 aldeias.

A possível transferência do sacerdote tem vindo a ser contestada nos últimos meses, tanto nas redes sociais como através de vários abaixo-assinados e petições que foram subscritos por centenas de paroquianos. Muitos deles estiveram na manifestação desta tarde.

O sacerdote, com pouco mais de 30 anos, começou a ganhar alguns "anticorpos" no concelho de Carrazeda, em 2015, depois de ter comunicado ao então presidente da Câmara Municipal, José Luís Correia, eleito pelo PSD, que devido à alteração dos estatutos do Centro Social e Paroquial de Vilarinho da Castanheira - terra do autarca e onde Óscar Paiva era pároco - não poderia, enquanto detentor de um cargo político, continuar a fazer parte da direção da instituição.

Em protesto contra a decisão e contra a forma como lhe foi comunicada, "por telefone", segundo disse na altura, José Luís Correia não participou na procissão da festa da sede de concelho, tal como é hábito fazer o presidente da Câmara e o restante executivo.

Depois das Eleições Autárquicas de 2017, realizadas a 01 de outubro, Óscar Paiva foi visado por um comunicado da Comissão Política Concelhia de Carrazeda do PSD, cuja candidatura venceu o sufrágio, por alegadamente ter avisado, no final da missa de domingo, 15 de outubro, em Vilarinho da Castanheira, sobre a realização, na localidade, de um convívio da candidatura dos Unidos por Carrazeda para celebrar a vitória naquela freguesia. "Como ele não sabe separar a Igreja da política, que alguém mais responsável o ensine a ter outra postura", lia-se no comunicado.

Da manifestação saiu ainda de que o novo padre, Bruno Dias, deverá ser bem acolhido nas paróquias onde até agora esteve Óscar Paiva, pois segundo diziam os participantes, "ele não tem culpa do que está a acontecer e será recebido com alegria e com todo o respeito".

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