Ferrovia

Linha Pocinho-Barca d'Alva pode ter impacto de 84,2 milhões de euros

Linha Pocinho-Barca d'Alva pode ter impacto de 84,2 milhões de euros

Estudo para a reabilitação do troço, que está orçada em 75 milhões de euros, é apresentado esta segunda-feira em Freixo de Espada à Cinta. Se avançar, permitirá criar 4724 empregos na fileira do turismo.

Reabilitar o troço da linha ferroviária do Douro entre o Pocinho e Barca d"Alva vai custar cerca de 75 milhões de euros. Mas, de acordo com o estudo de viabilidade que é apresentado, esta segunda-feira, em Freixo de Espada à Cinta, "é rentável do ponto de vista económico, com os benefícios a totalizarem 84,2 milhões de euros". Por outro lado, "permitirá criar 4724 empregos na fileira do turismo".

Este tramo de via-férrea tem pouco mais de 27 quilómetros e desenvolve-se no distrito da Guarda, entre Pocinho (Vila Nova de Foz Côa) e Barca d"Alva (Figueira de Castelo Rodrigo). Está desativado desde 1988.

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A sua reativação anda a ser defendida, há muito, por autarcas, deputados na Assembleia da República, associações e outras organizações públicas e privadas, e pela própria população da região duriense. Nesse sentido, em 2020, até foi entregue no parlamento uma petição com 13.500 assinaturas, iniciativa da Liga dos Amigos do Douro Património Mundial e da Fundação Museu do Douro.

A justificação é que se trata de um investimento prioritário principalmente para a dinamização turística de uma zona do país cada vez mais deprimida e despovoada, mas também para o transporte de passageiros e mercadorias, bem como por questões ambientais.

O estudo de viabilidade económica da reabilitação deste troço foi desenvolvido pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) e pela Infraestruturas de Portugal (IP). É apresentado esta manhã, na Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta, numa sessão que conta com as presenças do ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, da ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, da secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, Isabel Ferreira, e do presidente da CCDR-N, António Cunha.

De acordo com o documento, a linha Pocinho-Barca d"Alva vai gerar dois tipos de benefícios: O primeiro, avaliado em "28,4 milhões de euros", resulta, essencialmente, da "melhoria da mobilidade, da qualidade ambiental e da redução da sinistralidade junto da população residente e visitante". O segundo, no valor de "55,8 milhões de euros", representa "o impacto no Produto Interno Bruto de toda a fileira do turismo", com destaque para a "hotelaria, restauração, transportes, serviços culturais e recreativos", entre outros. Somadas as duas parcelas dá os tais 84,2 milhões de euros de benefícios estimados.

O impacto turístico da reativação da linha deverá permitir criar "4724 empregos" durante o "período de exploração do projeto (26 anos)", o que corresponde a "uma média de 181 por ano". Acredita-se que o aumento da procura e da despesa dos turistas e visitantes do Douro "criará postos de trabalho na hotelaria, na restauração, no comércio, nas atividades recreativas e culturais e nos produtos endógenos". Ao mesmo tempo, "a procura não satisfeita por limitações do lado da oferta, em alguns municípios de menor dimensão, irá criar oportunidades de investimento privado nesses territórios".

Os autores do estudo estimam que os benefícios que vai gerar no turismo não vão ficar confinados aos concelhos de Vila Nova de Foz Côa, Figueira de Castelo Rodrigo, Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta, mas vão ser "difundidos pelo conjunto dos municípios do Douro e por alguns das Terras de Trás-os-Montes, bem como da região do Centro". Como tal, defendem que se trata de "um projeto de interesse regional e nacional", sendo "estratégico para o desenvolvimento de um território do interior".

Ainda de acordo como estudo que hoje é apresentado, a oportunidade deste projeto de reabilitação da linha entre Pocinho e Barca d"Alva, reside, também, na "complementaridade com outros investimentos previstos no Douro", com destaque para a "modernização do troço Régua-Pocinho", cuja execução está "atrasada relativamente ao planificado". Neste contexto, defendem os autores, "o projeto de reabilitação pode e deve ser lançado, conjuntamente, com o troço Régua-Pocinho, com vantagens na otimização de recursos, na aceleração da neutralidade carbónica e numa mobilidade mais integrada do território".

Claro que o objetivo futuro é sensibilizar o governo espanhol para que invista na reabertura da sua parte da linha, também desativada há décadas. Tal viria a permitir a ligação ferroviária entre o Porto e Salamanca, unindo quatro regiões que são Património Mundial da UNESCO - para além dos centros históricos das duas cidades, ainda o Alto Douro Vinhateiro e o Parque Arqueológico do Vale do Côa - com evidente impacto na coesão territorial e no incremento turístico.

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