Música

Antiga Sé de Miranda do Douro vai escutar obras que não tocadas desde o século XVII

Antiga Sé de Miranda do Douro vai escutar obras que não tocadas desde o século XVII

Várias peças de missas em polifonia vão ser interpretadas, pela primeira vez desde o século XVII, na Concatedral de Miranda do Douro, no próximo dia 11 de maio.

No mesmo dia será apresentado o projeto de investigação e divulgação relacionado o único exemplar sobrevivente de um livro de música sacra do compositor Diego de Bruceña, considerado um dos compositores mais importantes de sua época, tendo sido capelão nas catedrais de Ourense, Oviedo, Burgos e Zamora.

O documento intitulado «Livro de Missas, Magníficas e Motetes» de Diego de Bruceña, é considerado extraordinário, tem 92 cm de largura e 60 cm de altura, com capa em madeira e foi impresso em Salamanca. Dos 40 exemplares impressos em 1620, apenas resta um conhecido, descoberto em 2015, na Concatedral de Miranda do Douro. "Até essa data, pensava-se que todas as composições de Bruceña estavam perdidas para sempre, mas a excecional descoberta deste exemplar permitiu recuperar grande parte das composições da música sacra do início do século XVII", referiu uma fonte da Direção Regional de Cultura do Norte.

Por ocasião do 400º aniversário da impressão deste livro único, tanto da arte da impressão, quanto da composição da música sacra do início do século XVII, o Museu da Terra de Miranda estabeleceu uma colaboração com o Boston College e o musicólogo e maestro Michael Noone, especialista que publicou amplamente sobre música sacra renascentista, tendo já gravado mais de 25 CD"s, muitos dos quais premiados, incluindo o Gramophone Early Music Award.

Ainda segundo aquela Direção Regional, o projeto de colaboração prevê a apresentação, em Miranda do Douro, de um site dedicado ao estudo do coral que preserva as composições sagradas de Diego de Bruceña e de um livro de Michael Noone.

O livro terá reproduções fac-símile do livro de Bruceña, uma transcrição para a notação moderna de uma amostra representativa das composições de Bruceña e um estudo sobre Diego de Bruceña e a vida musical da Concatedral de Miranda do Douro, bem como uma série de concertos de música dos compositores Diego de Bruceña e Felipe de Magalhães, na cidade transmontana e a gravação de um CD.

O concerto público na Concatedral de Miranda do Douro, em maio, conta com a presença do coro australiano de St. James, conduzido por Warren Trevelyan-Jones, cantará - pela primeira vez desde o século XVII - composições sagradas, editadas no livro de coral Bruceña pelo Michael Noone.

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