Município

Auditoria às contas de Mirandela deteta seis milhões de dívida escondida

Auditoria às contas de Mirandela deteta seis milhões de dívida escondida

A presidente do município de Mirandela divulgou, ao final da tarde, desta quinta-feira, algumas das conclusões que constam do relatório preliminar da auditoria financeira às contas da autarquia, contratualizada pelo novo executivo socialista liderado por Júlia Rodrigues.

Na conferência de imprensa, a autarca revelou que a dívida real do município é substancialmente superior ao que está registado na Direção-Geral das Autarquias Locais (DGAL). "Existe um diferencial de cerca de 6 milhões de euros relativamente à dívida global que nos tinha sido apresentada pelo anterior executivo, mas que ainda nem tem em conta as entidades participadas pelo Município, que ainda pode fazer aumentar esse diferencial", disse Júlia Rodrigues.

A dívida registada na DGAL é de cerca de 18 milhões de euros, mas, segundo estes dados, pode vir a aumentar para os 24 milhões. "Como o limite de endividamento líquido anda na ordem dos 27 milhões de euros, ficamos com mais limitações para a gestão no futuro", lamenta a autarca socialista.

No relatório preliminar, são ainda revelados "indícios de passivos ocultos não revelados na contabilidade, bem como património municipal não registado e receitas próprias da autarquia mal geridas", adiantou.

O executivo liderado por Júlia Rodrigues contratou os serviços da empresa Delloite para analisar a gestão financeira do município no último mandato, sob a liderança do social-democrata, António Branco, derrotado nas últimas autárquicas, depois de ter encontrado várias surpresas ao inteirar-se dos dossiers.

"A ideia é auditar os procedimentos e os processos na câmara para conhecer a gestão, tendo em vista a transparência para que os mirandelenses possam conhecer o ponto de situação em que o município se encontra", justificou a autarca.

Júlia Rodrigues admite que poderá haver alguns inquéritos internos para averiguar responsabilidades nas decisões tomadas que podem levar a processos disciplinares e não exclui a possibilidade de denunciar algumas situações ao Ministério Público. "Depois de conhecido o relatório final, vamos fazer uma avaliação e se houver casos que juridicamente justifiquem avançar para ações em tribunal, assim o faremos", afirmou.